Clima “quente” nos bombeiros

Há bombeiros descontentes que acusam a direção de falta de diálogo. Esta nega e lembra que pegou na instituição quando esta apresentava uma situação financeira débil

O tema não é novo, tem sido falado nos últimos meses e agudizou-se na última semana. Há um clima pouco pacífico na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Covilhã (AHBVC), e uma divisão entre alguns elementos do corpo ativo e direção. Que é acusada de falta de diálogo, que nega hoje em comunicado.

Na passada sexta-feira, um grupo de signatários de um manifesto de descontentamento face à situação interna da associação, foi à sessão pública do executivo denunciar um clima de divisão e de falta de diálogo na instituição. O documento refere que a Associação vive hoje “uma das mais graves crises da sua história”, e responsabiliza diretamente a direção. O porta voz do grupo, Hélio Pinto, garantiu que a crise “não vem de fora”, nem da falta de dedicação de quem serve o corpo ativo, mas sim “de dentro, da própria direção”. O responsável afirma que hoje existe um quartel dividido, com uma direção de governa a Associação “de costas voltadas” para o corpo de bombeiros, sem diálogo, com intimidação e pressão. Recorde-se que recentemente alguns operacionais deixaram os capacetes no chão, em frente ao quartel, em sinal de protesto. O grupo prometeu preparar para apresentar na próxima assembleia municipal um documento mais detalhado e completo.

Na passada semana, a direção regional do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), denunciou publicamente a manutenção de situações de incumprimento do Acordo de Empresa e a ausência de respostas da direção da AHBVC.

Esta terça-feira, em comunicado, a direção da Associação Humanitária, defendeu a legalidade da sua atuação e acusou o porta-voz do grupo de omitir informação relevante sobre a evolução da instituição. No documento, a direção começa por enquadrar o processo de substituição do comando, explicando que a exoneração de três elementos do comando, em janeiro de 2026, deu origem à abertura de um procedimento de seleção para novo comandante, envolvendo auscultação interna a oficiais, chefes e subchefes. A direção refere que o contributo recolhido teve carácter consultivo e que o nome mais referido foi o do Chefe Armando Maria, posteriormente proposto à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). Acrescenta ainda que decorrem diligências para conclusão da formação necessária ao exercício de funções.

A direção rejeita as acusações de falta de diálogo com o corpo de bombeiros, defendendo que a comunicação é feita através da cadeia de comando e não diretamente pela administração. E recorda que, quando assumiu funções, em 2012, existiam “graves situações de relações” e uma “situação financeira preocupante”. A direção recorda ainda que nessa altura o quartel nem licença de utilização tinha e que nem sequer existia nenhuma Equipa de Intervenção Permanente (EIP). “Hoje temos quatro”, vinca.

Sobre questões laborais, a direção esclarece o pagamento de subsídios e trabalho extraordinário, garantindo que o subsídio de turno é pago aos operadores de central e explicando que as EIP recebem uma compensação acordada. O pagamento de horas extraordinárias, acrescenta, é feito “integralmente, mas só depois de devidamente justificado”. Sobre as críticas do sindicato, “só há um ponto em que estamos de acordo. ‘revisão do acordo de empresa’, que só ainda não avançou, “porque o Sindicato ficou na última reunião com a direção de apresentar uma proposta à Associação, o que ainda não fez”, descreve o documento.

A direção lamenta que o bom nome de uma instituição com 151 anos seja posto em causa, e garante que até agora manteve o silêncio porque existem “processos em curso”, nas entidades competentes, que serão “devidamente apurados e esclarecidos em tempo oportuno”. Garantindo que a associação “sempre pagou mais” que o estipulado pelo Governo, a direção garante que quando constatar que é o problema, “saberá qual a porta da saída”.

Na sexta-feira, na reunião do executivo covilhanense, o presidente da autarquia, Hélio Fazendeiro, garantiu estar atento, e a acompanhar a situação, mas lembrou que autarquia apenas pode ajudar a instituição, mas não mandar na mesma, nem no corpo ativo, apelando ao diálogo e ao foco no interesse público.

 

 

 

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