Covilhã aprova moção para o regresso de provas nacionais de medicina

Prova Nacional de Acesso a formação especializada já se realizou na cidade, mas em 2019, com a pandemia, passou a ser efetuada no Litoral

“É um fator de coesão territorial importante que esta prova nacional de acesso regresse novamente à Covilhã”. É esta a opinião do presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, que na quinta-feira, 15, na reunião pública do executivo covilhanense, apresentou uma moção, aprovada por unanimidade, que defende que a Prova Nacional de Acesso à Formação Especializada em Medicina volte a ser feita na Universidade da Beira Interior (UBI).

O autarca lembrou que, em 2019, com a pandemia, o cenário foi alterado e esta prova passou a ser realizada noutras cidades, maioritariamente do Litoral, obrigando os estudantes da UBI a deslocarem-se para fora da cidade. O autarca defende que a realização das mesmas na Covilhã seria um importante sinal de coesão territorial, uma demonstração de igualdade de oportunidades e reforçaria o papel estratégico do Interior na formação de profissionais de saúde. Segundo Hélio Fazendeiro “é de inteira justiça” que a cidade possa voltar a ser um dos locais oficiais para a realização do exame, até porque existem “condições académicas, logísticas e infraestruturais adequadas”.

“Esta centralização tem impactos objetivos e desproporcionais sobre os estudantes do Interior, nomeadamente ao nível dos custos de transporte e alojamento, do desgaste físico e emocional e da ausência de redes de apoio num momento de elevada exigência académica”, refere o documento que será agora enviado ao Governo e restantes entidades oficiais. O facto de tal configurar “mais uma desigualdade estrutural associada à interioridade e um risco de desvalorização do ensino médico fora dos grandes centros urbanos, nomeadamente na UBI”, é outro dos aspetos vincados.

Entre os argumentos apresentados está ainda a necessidade de garantir que localização geográfica não possa constituir um fator de penalização no acesso à formação médica especializada: “Pelo contrário, a promoção da coesão territorial e a fixação de jovens qualificados em todo o território nacional dependem de políticas públicas que garantam igualdade de condições independentemente da localização geográfica”.

A moção reafirma igualmente “a total disponibilidade” do Município da Covilhã “para colaborar institucionalmente com o Governo, designadamente na identificação e disponibilização de infraestruturas municipais adequadas à realização da prova, reafirmando o seu compromisso com o ensino superior, com a valorização da UBI e com o desenvolvimento equilibrado do território nacional”.

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