Covilhã aprova moção pela reposição de serviços na Linha da Beira Baixa

PSD votou contra pelo facto de as obras já estarem a decorrer e Belmonte estar prestes a ser incluído no mapa de transbordos

A Assembleia Municipal da Covilhã aprovou esta manhã, de segunda-feira, 27,  por maioria (41 votos a favor, sete contra) uma moção, apresentada pelo PS, pela “Reposição urgente e eficaz dos serviços e circulação ferroviária na Linha da Beira Baixa”. Entre as exigências, estão a inclusão do concelho de Belmonte nos transbordos rodoviários, dos quais ficou de fora, a reposição de comboios regionais entre Guarda e Covilhã, e que se cumpra o prazo apontado para conclusão das obras que decorrem, até final do ano. “Nem mais um dia”, vincou o partido.

A bancada do PSD, que votou contra (tal com dois eleitos independentes, Duarte Rodrigues e Rui Amaro), justificou o sentido de voto pelo facto de as obras de reparação do troço que aluiu, após as intempéries de fevereiro, estarem já a decorrer, e por estar já prevista a inclusão do concelho de Belmonte no transbordo rodoviário que está a ser efetuado pela CP- Comboios de Portugal.

Leonor Cipriano, eleita do PSD, e deputada pelo mesmo partido na Assembleia da República, disse partilhar das preocupações dos socialistas, enumerou as várias estações e apeadeiros que ficaram sem comboios, mas garantiu que a IP- Infraestruturas de Portugal está a realizar uma intervenção com soluções “mais inovadoras”, que garantem maior durabilidade, no troço entre Mouriscas e Vila Velha de Ródão, e que teve a garantia do autarca belmontense António Luís Beites de que o concelho passará a estar incluído no transbordo rodoviário que, reconhece, “numa fase inicial” não correu tão bem, revelando “insuficiências”. Leonor Cipriano disse ainda que há a garantia da “reposição plena” dos comboios regionais quando a intervenção, no final do ano, estiver concluída.

O CDS-PP, pela voz de João Bernardo, justificou o voto favorável, “porque tem vergonha na cara. Para nós não há copos meio cheios, nem meio vazios. Estas são exigências que têm que ser feitas à governação. Seremos sempre pela defesa do Interior, mesmo que seja contra o nosso governo”, garantiu.

José Páscoa, do MIPP, afirma que o que se esperava não era só ver reparado o que foi destruído, mas houvesse também “perspetiva de futuro, e a Linha da Beira Baixa não fosse vista como um desvio, como funcionou nos últimos dois anos, devido às obras na Linha da Beira Alta”. O eleito disse ainda que gostava que tivesse sido implementado um metro de superfície entre Belmonte, Covilhã e Fundão, e eventualmente outras extensões”.

Recorde-se que, na passada semana, depois de ter apontado o mês de setembro para a reabertura integral da Linha da Beira Baixa, a Infraestruturas de Portugal (IP) anunciou que isso só irá ocorrer no final do ano. Em Coimbra, o presidente da IP, Miguel Cruz, disse que neste momento, no País, apenas as linhas do Oeste e Beira Baixa estão encerradas, e no caso da linha que serve a região, a reparação “entrou em projeto e deverá estar concluída até final do ano”. Miguel Cruz lembrou a dificuldade da reparação, face à “complexidade da localização, muito junto ao rio”. Mas garantiu que a IP está a “pressionar para que o projeto e a intervenção possam ser rápidos.” Ao NC, em março, a IP garantira que os trabalhos se iniciavam nesse mesmo mês e com uma duração estimada de “seis meses”.

Desde 11 de fevereiro que a Linha não funciona na sua plenitude, devido ao deslizamento de terras num talude de aterro, entre Mouriscas A e Vila Velha de Ródão, devido às intempéries de janeiro e fevereiro. Segundo adiantou a IP ao NC foi definida “uma solução expedita que prevê a construção de uma laje de betão apoiada em microestacas onde será assente a via”. Para já, existem alguns transbordos rodoviários para compensar a falta de comboio nalguns troços.

Na última sexta-feira, 24, na reunião do executivo belmontense, o autarca local, António Luís Beites, disse que esperava ter esta semana novidades sobre o transbordo rodoviário, do qual o concelho ficou de fora. E que passará por recolher passageiros no Parque de Santiago, onde páram habitualmente os autocarros da rede Expressos, e não na estação de caminhos de ferro, que fica mais desviada do núcleo urbano.

A Assembleia Municipal aprovou ainda hoje, por unanimidade, votos de pesar pelas mortes do empresário João Paulo Fazenda, do ex-fundador da RCC, Luís Sardinha, António João Saraiva, do ex-empresário e dirigente desportivo Manuel Ribeiro, Fernando Silva (antigo proprietário de quiosque) e Carlos Salema (primeiro presidente do Conselho Geral da UBI), e votos de louvor ao ex-comandante regional das beiras e Serra da Estrela da Proteção Civil, António Fonseca, Carolina Pombo e à ADE pelos seus 50 anos de vida. Já o voto de saudação pelos 52 anos do 25 de Abril foi aprovado por maioria, com o voto contra dos dois eleitos do Chega, Amadeu Alberto e Francisco Farias. Foi ainda chumbada uma moção pelos transportes, apresentada pelo PCP.

 

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