Depois da peste, o “alcaide” decreta quatro dias de festa em Belmonte

A festa depois da peste, numa alusão à covid-19, é o tema da 17ª Feira Medieval de Belmonte, que regressa aos moldes habituais após a pandemia. Dias Rocha espera que certame cative muita gente e apela à participação da população local
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“Viveram-se tempos dramáticos, vidas foram dizimadas, houve fome, os campos não foram cultivados, houve revoltas. Mas depois da peste, o Alcaide de Belmonte decreta quatro dias de festa. Haja danças, trovadores, teatro, comédia, artes circenses, vivências medievais, momentos de folgança e alegria”. É esta a nota introdutória do programa da 17ª Feira Medieval de Belmonte, que foi apresentada na passada quinta-feira, 7, junto ao castelo da vila.

Depois de dois anos de pandemia, em que, mesmo assim, se fizeram algumas realizações pontuais, o certame regressa aos moldes habituais fazendo um paralelismo entre as pestes que se viveram na idade média, e a “peste” do século XXI, a covid-19, que durante muitos meses retirou as pessoas do convívio, das festas, do lazer. “Dois anos depois, temos muitas expectativas. As pessoas sentiram muito o facto de não poderem sair, de se divertirem, de conviver. Tenho muita esperança que a nossa feira tenha muita procura e tenho confiança no programa que temos” frisa o “alcaide” da vila, o presidente da Câmara, António Dias Rocha.

O certame decorre entre 12 e 15 de Agosto (quatro dias, mais um que em 2019), e o autarca espera uma boa adesão a uma feira medieval que tinha já “algum reconhecimento e tradição”. Dias Rocha acredita que a população está “ansiosa” por esta realização, a mais importante, actualmente, na vila. “Teremos uma feira digna, e espero que com muita gente. Estamos entre as cinco melhores do País e temos que manter o nível” garante o autarca.

Elisabete Robalo, técnica da autarquia, lembra a actualidade do tema deste ano. “Após a peste, queremos é a festa” frisa, adiantando que o programa apresentado é, a cerca de um mês da feira, “ainda um esboço” que pode sofrer alterações, já que alguns grupos que irão participar ainda estão a preparar alguns espectáculos para apresentarem. A responsável apelou ainda à participação da população local na formação de um grupo para integrar o certame, com algumas realizações.

Também Joaquim Costa, presidente da Empresa Municipal, que realiza o certame em colaboração com a Câmara, lembra o paralelismo entre a peste da idade média e o que se viveu nos últimos dois anos, com a pandemia. Apesar de recomendar cuidados, uma vez que “ela não acabou ainda”, o responsável apela à participação das gentes locais, e anuncia algumas novidades, como um mercado medieval onde produtores locais poderão vender os seus bens agrícolas, ou mesmo animais, sem nada pagar. “É uma oportunidade de ajudarmos a escoarem os seus produtos” explica, lembrando que haverá espectáculos fora e dentro do castelo, e pedindo aos expositores para que se trajem a rigor nestes quatro dias. Neste momento, são 45 os que estão já inscritos, mas Joaquim Costa espera esgotar a capacidade máxima que a empresa tem, cerca de 160 barraquinhas.

Dias Rocha apela também a quem participe este ano nas ceias medievais que se vista com trajes da época, lembrando que, através da Empresa Municipal, as pessoas poderão alugar os mesmos.

Este ano, como o NC já tinha anunciado, o orçamento da feira é de 50 mil euros (cerca de metade da anterior), mas apesar de alguma contenção com os gastos, Dias Rocha garante que a qualidade se irá manter. “Também tínhamos a noção de que havia coisas que se estavam a repetir demais, como o assalto ao castelo, uma repetição sem razão de ser. Vamos ter artesãos, animação de rua com vários grupos, várias características. Espero que as pessoas se divirtam, os feirantes ganhem dinheiro, e se sintam bem. Não há um limite orçamental, apenas o limite que estamos a por em tudo o que fazemos” frisa.

Há cerca de três semanas, a autarquia aprovou por unanimidade o regulamento da Feira, que contou com uma alteração. Se, no passado, as barracas de comes e bebes pagavam 250 euros, este ano pagam 200, de modo a haver uma diferenciação para com os restaurantes, que mantém o valor de taxa de 350 euros.

Quanto ao programa em si, abre no dia 12, pelas 18 horas, com um cortejo inaugural, onde a organização espera ter muitas das gentes locais e a representatividade de todas as associações concelhias. Animação de rua, passeios de burro, falcoaria, torneios a cavalo (este ano junto ao castelo), saltimbancos, ceias medievais, espectáculos de fogo, fogo de artifício, música e muita iguaria típica e tradicional é o que os visitantes poderão encontrar ao longo de quatro dias.

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