Deputados deixam sala da Assembleia em protesto

Orçamento, de 13,3 milhões de euros, aprovado por maioria em Belmonte. Mas sem votação de quatro deputados do MPT/PSD, que deixaram a sala depois de Dias Rocha utilizar o termo “burros” para criticar a falta de ideias da oposição
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“Os outros são todos uns burros, os inteligentes são eles. Eu acho que os burros são eles”. Foi esta a frase proferida pelo autarca local, Dias Rocha, que foi a gota de água para que, na passada segunda-feira, 28, quatro deputados do MPT/PSD abandonassem a sala em protesto contra a expressão usada pelo presidente da Câmara.

Quando se discutia o plano e orçamento da autarquia para 2021, que foi aprovado, por maioria (13 votos a favor do PS, uma abstenção da CDU e voto contra da deputada independente Patrícia Eusébio), o deputado do MPT/PSD, José Carlos Gonçalves criticou o documento que, diz, mostra “falta de capacidade para encontrar soluções”, com “prioridades invertidas”, lamentando as poucas verbas atribuídas às IPSS “em tempos de pandemia”. Um orçamento que, segundo ele, mostra a “incapacidade do executivo em inverter o rumo”. Na resposta, Dias Rocha acusou o deputado de não apresentar uma única ideia para “a sua terra, o Colmeal da Torre” ou para o concelho. “Zerinho” acusou. Acusando os elementos da oposição de se acharem mais inteligentes que o executivo. “Eu acho que os burros são eles” afirmou, o que levou José Carlos Gonçalves e mais três elementos da sua bancada (Acácio Dias, Hugo Morão e Carlos Gomes) a saírem da sala, em sinal de protesto, acusando o autarca de falta de respeito.

“Não tratei ninguém mal em termos pessoais. Eu posso chamar burro em termos políticos. Sentiram-se? Talvez tenham razão para isso” justificou o autarca. Com o deputado da CDU, José Alberto Gonçalves, a condenar. “Não é termo que se utilize numa assembleia” frisa.

Certo é que o documento, de 13,3 milhões de euros para 2021 (mais dois milhões e 300 mil euros que no ano que agora acaba), foi aprovado. Mas com críticas da oposição. Acácio Dias, do MPT/PSD, diz que no documento não se vislumbra uma única obra, a não ser a requalificação do edifício dos Paços do Concelho (já em execução), e que é um orçamento que não passa “de um processo de intenções”, que apenas é maior não devido a um aumento de receitas da autarquia, mas por causa das verbas do plano de saneamento financeiro recentemente aprovado. O deputado criticou ainda o aumento de despesas com pessoal.

Já José Alberto Gonçalves, da CDU, afirma ser um plano que é “uma tentativa de gerir as promessas que continuam por cumprir” e que “compromete ainda mais o futuro”, não “resolvendo os problemas estruturais do concelho”. Por isso, absteve-se.

A bancada do PS, que votou favoravelmente, classifica o orçamento de “bastante ambicioso” e espera que “o executivo o possa executar na totalidade” afirma Licínio Benedito.

(Notícia completa na edição papel)

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