Eduardo Malta: retratos da vida de um artista covilhanense

Comemorações do 125º aniversário do artista decorrem até final do mês

A Covilhã está a comemorar o 125.º aniversário do nascimento do artista covilhanense Eduardo Malta (1900–1967). No passado dia 7, a Moostra e a Câmara Municipal da Covilhã promoveram no TMC – Teatro Municipal da Covilhã, o espetáculo “Retrato de uma Vida de Eduardo Malta – Dos Selos da Infância à Imortalidade do Museu”, com textos da autoria de António Vaz.

Esta homenagem contou com o envolvimento de instituições nacionais (sendo que três delas são espanholas), nomeadamente, 22 museus, 19 entidades e 7 Fundações, para além da colaboração de diversos colecionadores particulares e familiares do artista (netos), que cederam os créditos fotográficos projetados durante o espetáculo. Este evento, realizado numa matiné de domingo, constituiu um momento de celebração intergeracional em torno da vida e obra do pintor. Envolveu parte da comunidade escolar, reunindo mais de 80 participantes, e contou com a coordenação da equipa do TMC, bem como com o apoio de Maria Teresa Magalhães, Luís Vaz e Raquel Silveira (projeção, vídeo e fotografia).

O espetáculo teve por base uma entrevista radiofónica ao artista, interpretada pelos alunos da Academia Sénior da Covilhã, com os atores António Ramos, no papel de Eduardo Malta, e Ana Sá Pessoa, como entrevistadora, sob encenação de Aurora Tarouca. Foram evocadas diversas etapas da vida do artista, desde a infância vivida na Covilhã até outros momentos marcantes do seu percurso. Os episódios da infância foram interpretados por duas turmas do ensino pré-escolar do Instituto Jesus Maria José (antigo Colégio das Freiras), orientadas pela educadora Fátima Tarouca e pela auxiliar de educação Cristina Carapito.

Os alunos da Escola Secundária Quinta das Palmeiras, da turma do 8ºB, apresentaram duas cenas de teatro intituladas “O Primeiro Amor” e “O Traço do Mestre.”

Figura multifacetada do panorama artístico do século XX, Eduardo Malta destacou-se como pintor, desenhador, ilustrador e escultor, mas também como autor de romances e ensaios sobre arte. A sua atividade estendeu-se igualmente à cenografia, à conferência pública, à crónica radiofónica e à colaboração regular em revistas e publicações periódicas nacionais e estrangeiras, bem como à direção do Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa. Artista versátil, fez da arte a sua vida e realizou inúmeros trabalhos, muitos deles dedicados ao universo da dança, retratando figuras marcantes do bailado contemporâneo, como George Balanchine (1904–1983), cujo retrato esteve exposto no Museu da Covilhã, na 1ª parte da exposição “Olhares que Contam Histórias”; outros tantos apontamentos do conceituado bailarino, coreógrafo e ator português, Francis Graça (1902–1980), e muitos outros bailarinos anónimos. O próprio terá descrito, tanto a sua primeira esposa, de quem teve dois filhos, como a segunda, como figuras graciosas e esbeltas, semelhantes a bailarinas. Neste contexto, o ballet e a dança contemporânea estiveram igualmente representados neste evento pela Companhia de Dança Kayzer Ballet, através da performance “Perception”, interpretada pelos bailarinos Alessandro Borsa, Gaia Pedranzin e Nicole Tasselli.

Inspiradas em duas telas pintadas a óleo, intituladas “O Indiferente” e “Nu Feminino”,- atualmente em exibição na segunda parte da exposição no Museu, as alunas da classe de dança da EPABI – Escola Profissional de Artes da Beira Interior, Ireis Reis, Mirian Batista, Maria Moscoso e Margarida Robalo brindaram os presentes com três momentos. Participaram ainda alunos das áreas de música da mesma instituição, nomeadamente o Coro do Atelier de Canto (de quatro elementos), destacando-se a interpretação vocal de Joana Almeida com as canções “Memória” e “Quero é Viver”.

Inserida nas comemorações do nascimento do artista, decorrem ainda no Museu da Covilhã os últimos dias da segunda parte da exposição “Olhares que Contam Histórias – Eduardo Malta”, patente até ao dia 27 de junho.

No próximo dia 25, pelas 17h00, terá lugar, no mesmo Museu, a Tertúlia MC2 – Movimentos Culturais Coletivos, tendo como mote “Olhares sobre Eduardo Malta” uma conversa informal sobre a vida e obra do artista, e tem como convidados, António Vaz, Curador da exposição, representante da Associação Moostra e Doutorado pela UBI; Bruno Silva, vereador com o pelouro do Património Cultural na Câmara Municipal de Óbidos e coordenação geral da Rede de Museus e Galerias daquele concelho;  Thierry dos Santos, diretor e coordenador do Museu da Guarda, escritor e doutorado em Linguística Aplicada. A tertúlia conta com a moderação da Coordenadora do Museu da Covilhã, Sandra Ferreira.

A inauguração da terceira a parte da exposição “Olhares que Contam Histórias – Eduardo Malta” está prevista para o final deste mês, dia 30 de junho e contará com desenhos do artista (provenientes do Museu da Guarda; do Museu Ferreira de Castro, Sintra; da Sociedade Martins Sarmento, Guimarães; e de colecionadores particulares) para além de obras/interpretações de artistas contemporâneos da região e uma seleção dos melhores trabalhos realizados por alunos, de diferentes graus de ensino da comunidade escolar.

 

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