Empresa brasileira vai criar embalagens biodegradáveis na antiga fábrica de calçado

A empresa Turma da Árvore adquiriu o pavilhão onde estava sediada a Classic Belmonte Shoes por 400 mil euros e, segundo o autarca local, pode ainda começar a laborar este ano
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Está sediada no estado de Santa Catarina, no Sul do Brasil, já há alguns anos que tem contactos com a Câmara de Belmonte e é a nova proprietária do edifício onde funcionou, até 2019, uma fábrica de calçado, a Classic Belmonte Shoes, no Parque Empresarial da vila.

A empresa brasileira Turma da Árvore terá já adquirido o edifício por cerca de 400 mil euros, adiantou na reunião pública do executivo camarário da passada semana o presidente da Câmara, António Dias Rocha, e o objectivo é criar ali uma estrutura que produza embalagens biodegradáveis para armazenar e transportar alimentos.

“Estamos a tentar criar condições para a empresa se radicar aqui e uma delas, o que nos dá a certeza que vêm mesmo, foi a aquisição da antiga fábrica de sapatos” adiantou o autarca. “É uma empresa brasileira, que acha que deve investir em Belmonte. Já investiram cerca de 400 mil euros na compra da antiga fábrica de calçado, uma estrutura muito boa. Espero que ainda este ano comecem a trabalhar” frisa António Dias Rocha, que promete apresentar publicamente a empresa “em breve”.

Segundo o presidente da Câmara de Belmonte, a Turma da Árvore é uma empresa vocacionada para criar equipamentos “biodegradáveis para comercialização da carne, peixe e muitos outros produtos que não existem na Europa. É a partir de Belmonte que querem avançar para a Europa, para grandes centros comerciais, e estão muito confiantes. Nós também temos, pois vão criar postos de trabalho e vão trazer outras empresas que trabalham com eles. Esperamos que tudo corra bem.”

Primeiros contactos em 2019

Na sua página na Internet (www.turmadaarvore.com.br), a Turma da Árvore apresenta-se como uma empresa que promove o bem-estar das pessoas e compensa os prejuízos no meio ambiente, através de soluções sustentáveis e inovadoras. Com sede na Fazenda Araçá, em Santa Catarina, a empresa apresenta duas áreas de negócio: a plantação de árvores e a criação de casas modernas em madeira, de baixo custo, embora a criação de embalagens sustentáveis com polpa de celulose seja também uma das áreas em que opera.

A Turma da Árvore já em Abril de 2019 esteve na Câmara de Belmonte, para uma visita técnica em que, segundo o município, foram “apresentadas propostas de projectos de negócios com interesse sócio-ambiental e com sustentação sócio-económica com o objectivo de compensar e equilibrar os prejuízos ao meio ambiente causados por actividades essenciais à existência humana.” Entre elas, a plantação de árvores, a instalação de uma fábrica para construção de moradias de madeira com engenharia de baixo custo, apicultura, criação de caixas de abelhas de papelão e a reciclagem de materiais para fins de produção e venda de produtos, entre outros.

Vereador pede reversão de terrenos

No Parque Empresarial, a ocupação do mesmo tem sido tema debatido recorrentemente e na última reunião da autarquia, o vereador do CDU pediu que se aplique o regulamento existente, de modo a se libertarem terrenos sem projecto ou sem actividade.

Carlos Afonso contabiliza no local 19 lotes, com 12 atribuídos, onde trabalham 22 pessoas, três deles ocupados com actividades sazonais, dois ocupados com uma balança e outro com um armazém de gás. “Um com projecto em andamento, três completamente vazios e dois atribuídos aos empresários confinantes” frisa, deixando à consideração do executivo a “aplicação do regulamento a todos os lotes que não têm projecto nem os proprietários manifestaram interesse em cumprir o que o regulamento obriga.”

Na resposta, Paulo Borralhinho, vice-presidente da Câmara de Belmonte, disse que o executivo está a trabalhar nesse sentido. “Já tenho alguns dos contratos que foram feitos, para serem analisados pelo nosso departamento jurídico, para ver a forma legal de fazer a reversão do que não foi construído.” Em relação à reatribuição dos lotes, Paulo Borralhinho admite que “temos de ser criteriosos.”

Falta mão-de-obra

António Dias Rocha também lamentou a falta de mão-de-obra existente no concelho. O autarca diz que já teve empresários que lhe fizeram sentir a vontade de se sedearem em Belmonte, mas “não há funcionários. Dizem se estou disposto a pagar transporte de pessoas que venham de outros concelhos. Então, se é para criar emprego para essas pessoas, são os seus municípios que têm que pagar, pois vão ser beneficiados. Porque infelizmente em Belmonte não há. Existe uma taxa de desemprego de cerca de 7 por cento, há anos, e que se mantém, que são, mais coisa menos coisa, sempre os mesmos” indica.

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