Empresa de licores e doces no antigo matadouro de Belmonte

Autarquia cede edifício, por seis meses, à Licocampo
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A Licocampo, empresa sedeada em Caria, vai passar a ocupar as instalações do antigo matadouro, na rua do Pinheiro, onde funcionou, durante muito pouco tempo, uma fábrica de produção de tabaco.

A empresa pediu à autarquia a cedência das instalações, que são municipais, e acabou por ver esse pedido satisfeito, mas com algumas condicionantes: ocupará o espaço durante seis meses, de forma gratuita, e a partir daí terá que pagar uma renda a fixar pela autarquia. Uma medida aprovada por maioria pelo executivo na passada quarta-feira (quatro votos a favor), mas com voto contra do vereador da CDU, Carlos Afonso.

O vereador defendeu que o edifício, sendo municipal, poderia ser aproveitado para outros fins, evitando que o município pagasse, por exemplo, rendas para albergar serviços, e mostrou-se contra a cedência de espaços municipais de forma gratuita, bem como o assumir de rendas por parte da Câmara em alguns negócios locais. “Se é para uns, tem que ser para todos, ou então para ninguém” disse.

Dias Rocha reconhece que “tive alguma culpa” ao abrir precedentes, nomeadamente numa loja de venda de fruta e outra de gelados, mas lembrou a qualidade da empresa em questão. “que está a crescer”. Carlos Afonso diz que para se corrigir erros, só há uma forma: “é ser-se radical. Tem que se acabar com o pagamento de rendas. Que se desenrasquem”.

José Mariano justificou o voto favorável por considerar que “devemos apoiar os nossos jovens. Sei que estão a produzir e os produtos são de qualidade”.

André Reis também votou a favor, apesar de concordar, em parte, com Carlos Afonso. “A iniciativa privada visa o lucro, e se tem lucro, deve pagar as despesas. Mas não acho que seja com atitudes radicais que resolvamos o problema” diz.

Recorde-se que depois do fecho do antigo matadouro da vila, na década de 90, o edifício chegou a ser aproveitado pela Santa Casa da Misericórdia para ali ter uma padaria/pastelaria, que abastecia o próprio lar. Depois, em 2015, a Câmara de Belmonte aprovou, por unanimidade, a celebração de um contrato de comodato com a empresa “FC Tabacos”, do empresário fundanense Paulo Longo, para ali desenvolver a sua actividade de embalamento e distribuição de charutos e cigarrilhas. O edifício era cedido por um período de 20 anos à empresa com o objectivo de potenciar o desenvolvimento económico e permitir a criação de novos postos de trabalho no concelho. Porém, a empresa criada em 2011, teve passagem fugaz por Belmonte e acabou mesmo por ver declarada a sua insolvência.

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