Espólio de Samuel Schwarz cedido ao Museu Judaico de Belmonte

Material há muito que está exposto no Museu, mas protocolo de cedência é assinado no domingo, no âmbito da “Judaica”, festival de arte e cultura
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A Câmara de Belmonte assina no próximo domingo, 29, pelas 17 horas, no Museu Judaico, o protocolo de cedência de espólio de Samuel Schwarz a este espaço museológico, no âmbito da “Judaica”, festival de arte e cultura.  Basicamente, trata-se de ratificar uma colaboração que já existe há vários anos, uma vez que muitas das peças já estão ali expostas há bastante tempo.

Recorde-se que, em 2019, o município homenageou o homem que deu a conhecer os judeus de Belmonte ao mundo, com a publicação de orações até então desconhecidas do público, uma exposição e a atribuição do seu nome a um largo onde também foi colocado um busto de Samuel Schwarz. Na altura, o neto, João, que marcou presença no evento (e que volta a Belmonte no próximo domingo), disse que a homenagem era de um significado “enorme, já que já passaram mais de 100 anos desde a altura que ele apareceu por esta região. E o impacto da descoberta dele foi fundamental para o renascimento judaico aqui. Atraiu historiadores, fazendo com que o fenómeno judaico deixasse de ser uma coisa esquisita” frisava João Schwarz, satisfeito por ver Belmonte “organizar isto tudo, ter um busto do meu avô, pois é uma oportunidade de rever o que ele fez por cá”.

Samuel Schwarz foi um antigo engenheiro de minas, que nasceu na Polónia, em 1880 (viria mais tarde a adquirir nacionalidade portuguesa), que chegou à região em 1915 para trabalhar nas minas, na zona de Vilar Formoso e Belmonte. E aqui descobriu os cripto-judeus, que deu a conhecer no livro “Cristãos Novos em Portugal no século XX”, em 1925. Além de engenheiro, Samuel foi historiador, fotógrafo e jornalista. Fotos do seu passado em Portugal e nas Beiras, bem como objectos pessoais (máquinas fotográficas, de filmar, passaportes, entre outros) há muito estão expostos no Museu Judaico de Belmonte.

No domingo, às 14 horas e 30, é inaugurada a exposição e doada a escultura “Menoração”, de Ari Erom. Depois, às 15, é apresentada a reedição do livro “Inscrições hebraicas em Portugal”, de Samuel Schwarz, numa cerimónia que conta com o neto, João, José Tavim, da Faculdade de Letras de Lisboa, Ângela Coutinho, da Universidade Nova de Lisboa e Antonieta Garcia, ex-docente da UBI, e uma das principais investigadoras sobre o judaísmo em Belmonte e na região- Depois da assinatura de protocolo, segue-se uma degustação de produtos kosher.

Na segunda-feira, 30, pelas 9 horas e 15, é exibido o filme “Meus amigos judeus”, de Daniel Nave, na biblioteca do Agrupamento de Escolas Pedro Álvares Cabral.

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