Uma antiga infraestrutura industrial, localizada na zona do Centro Histórico da Covilhã, e que pode ser o mais antigo tinte conhecido em Portugal, está em vias de ser classificado de interesse nacional.
A publicação do anúncio já saiu em Diário da República, para um imóvel que já foi alvo de um processo de classificação municipal, iniciado pela Câmara da Covilhã em janeiro de 2025. No entanto, o Património Cultural Nacional IP considerou que a relevância histórica e patrimonial do achado justificava um enquadramento de âmbito nacional.
O Tinte Presunto, edifício na Travessa do Tinte, nas proximidades do Mercado Municipal, integra elementos com caraterísticas românico-góticas, que em janeiro do ano passado a Câmara valorizou, com o início do processo de classificação municipal, que ainda não está concluído, mas poderá estar pronto entre o verão e outono deste ano. Na altura, a par daquele que se julga ser o mais antigo imóvel na cidade exemplo da arquitetura do estilo Arte Nova, a Casa Nave Catalão, na Rua São Francisco Álvares, junto ao quartel dos Bombeiros Voluntários da Covilhã.
À Lusa, o presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, disse que os primeiros estudos técnicos e científicos apontam para que a infraestrutura remonte ao século XVI, podendo tratar-se do estabelecimento de tinturaria mais antigo do País atualmente conhecido. “Não se conhece, para já, uma infraestrutura desta natureza mais antiga do que esta”, afirmou o autarca, sublinhando a importância do achado para a história industrial portuguesa. Agora inicia-se o procedimento para classificação nacional, conduzido pelo Estado.
Para Hélio Fazendeiro, a descoberta reforça o papel histórico da Covilhã enquanto centro industrial e empresarial de referência no país, particularmente ligado à indústria têxtil, marca identitária da região ao longo de séculos.
