Evento quer dar visibilidade ao papel “camuflado” das mulheres operárias

“Elas ao Som da Fábrica” decorre quarta-feira, 11, no Museu dos Lanifícios. Através de conversas com protagonistas, performance, cinema, música, exposições, teatro ou poesia pretende-se causar “desconforto” e fazer “reflectir” sobre o papel da mulher
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Dar visibilidade ao papel das antigas operárias dos lanifícios da Covilhã e valorizar a importância socioeconómica das mulheres nesta indústria, dando-lhes voz e evocando o seu trabalho e as iniquidades vividas é o objectivo da quarta edição de “Elas ao Som da Fábrica”, marcada para dia 11, no Museu de Lanifícios.

Sob o mote “Poesia em Movimento”, estão programas, ao longo do dia, entre as 10:00 e as 20:30, actividades a cada hora, desde a performance a visitas guiadas, a música ao cinema, do teatro à poesia, passando por conversas com as protagonistas que se pretende evidenciar.

“Não queremos romantizar o papel da mulher, queremos sim causar desconforto e mostrar aquilo que realmente aconteceu ao longo dos anos em que trabalharam nas fábricas”, salientou Diana Santos, um dos 14 alunos finalistas do curso de Ciências da Cultura da Universidade da Beira Interior (UBI) que promovem o evento.

Durante a apresentação do programa, na manhã de quarta-feira, 4, no Museu dos Lanifícios, Diana Santos enfatizou que este ano não há repetições e “são todos momentos únicos”, numa edição em que destaca três palavras que definem o que vai acontecer ao longo do dia: “mulheres, intensidade e diferença”.

Iniciativa é organizada por alunos e professores do curso de Ciências da Cultura da UBI.

“Não são apenas números”

Segundo Pedro Bártolo, outro dos organizadores de “Elas Ao Som da Fábrica”, o papel da mulher, ao longo do tempo, “esteve algo camuflado”. Na quarta-feira, o intuito não é ter um programa de entretenimento, mas proporcionar um conjunto de formas de arte e iniciativas que estimulem “a reflexão”, sendo que “o denominador comum” de todos os momentos do programa é “o papel da mulher”.

“Queremos pegar nas pessoas que estavam cá, nas memórias, nos contributos, e partilhá-los”, acentuou o aluno de Ciências da Cultura, que faz referência a dimensões como as leis laborais e muitos outros aspectos, mais penalizadores para as mulheres, ontem como hoje, enfatiza, aludindo, por exemplo, às diferenças salariais.

Para Pedro Bártolo, “não foi dada a devida importância” às mulheres operárias, “formigas que faziam parte de um conjunto” e que “não são apenas números: são pessoas, são vidas”.

Conversa com antiga operária e sindicalista

Do programa destaca-se a conversa, às 14:00, entre a antiga operária Luzia Mendes, ex-trabalhadora da Real Fábrica de Panos e, mais tarde, envolvida na Greve dos Mil Escudos; Luís Garra, durante quatro décadas presidente do Sindicato Têxtil e antigo coordenador da União dos Sindicatos de Castelo Branco, e Filomena Pires, do Movimento Democrático das Mulheres.

Às 11:00 conversam Elisa Pinheiro, Rita Salvado, antiga e actual directora do Museu de Lanifícios, e Francisco Afonso, do New Hand Lab.

Pelas 12:00 tem lugar a performance “A Luta Que Nos Pariu”, às 15:30 o Teatro-Fórum “Gloriosa é a Minha Revolta Quando Me Levanto – Elas e a Revolução”, para as 17:00 está agendada a performance “Desfio” e, às 19:00, é a vez do espectáculo musical Colmeia, com Manuel Rocha, da Brigada Victor Jara.

 

 

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