Fecho de estrada impede visita a “pontos icónicos” da Serra da Estrela

Presidente da Câmara de Manteigas, Flávio Massano, revela preocupação pelo facto da via, uma das principais no acesso à Torre e à Serra, estar fechada há cerca de um mês, afastando os turistas de sítios como o Vale Glaciar
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Há cerca de um mês que se tornou impossível para os turistas visitar sítios como o Vale Glaciar, beber água na fonte Paulo Luís Martins, ou ver o Covão da Ametade, na Serra da Estrela. Tudo porque a única via de acesso a estes locais emblemáticos (a Estrada Nacional 338) está fechada devido à queda de pedras.

Esta semana, à agência Lusa, o presidente da Câmara de Manteigas, Flávio Massano, voltou a deixar a sua “preocupação grande” face a este impedimento que, diz, afeta não só o seu concelho mas a região em geral. A via, de ligação entre Manteigas e os Piornos, ao longo dos últimos anos tem revelado problemas, que se prendem com a queda de pedras das suas encostas, ou até com algumas derrocadas. E segundo o autarca, com a estrada fechada “nós [Manteigas] perdemos o comboio do circuito de quem anda entre Covilhã, Seia e Manteigas. Portanto, ficamos de fora desse circuito, porque as pessoas não podem circular” afirma.

Segundo o autarca, a EN338 está encerrada há cerca de um mês, por decisão da Infraestruturas de Portugal (IP), devido a pedras que caíram pela encosta por causa do incêndio que atingiu a serra da Estrela no verão.  Flávio Massano considera, no entanto, que a situação “não é um problema só para Manteigas, porque esta estrada é uma das mais bonitas do país e uma das principais no acesso à Torre e à serra da Estrela”.

“Eu acredito que nenhum turista quer vir à serra da Estrela e não poder ver o Covão da Ametade ou não poder beber água na fonte Paulo Luís Martins ou não poder passear e ver o Vale Glaciário do Zêzere. Quer dizer, estamos a falar de pontos icónicos da serra da Estrela que neste momento estão vedados porque não se pode circular”, justifica.  E prossegue: “É um problema para Manteigas porque, em primeiro lugar, somos os mais afetados pelo que está a acontecer, os nossos agentes económicos, que ficam privados de um fluxo turístico considerável, mas também toda a serra da Estrela, porque afeta a visitação como um todo”.

Flávio Massano indica que o fecho da via não motivou falta de afluência de visitantes ao seu concelho no Natal e na Passagem de Ano, mas vaticinou que a continuação da estrada fechada “terá impacto nas semanas menos fortes do ano”.

Para ultrapassar a situação, na terça-feira decorreu uma reunião na Câmara Municipal de Manteigas, com representantes da IP, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), da Proteção Civil, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e da GNR e foram definidos quinze dias para a construção de uma metodologia de trabalho e para o lançamento de um estudo preliminar que vai ser feito pelo LNEC.

“Feito este estudo, vão ser constituídas equipas de trabalho que vão intervir no terreno com a máxima urgência possível. Sem termos o estudo concluído, não conseguimos dar prazos” para a reabertura da via, vinca.  Na sua opinião, se pelo Carnaval a EN338 estivesse reaberta à circulação rodoviária, seria uma “muito boa notícia”.

Questionado sobre a construção de túneis para atravessamento da Serra da Estrela, como foi defendido pelos anteriores autarcas do município de Manteigas, o atual presidente reconhece que “poderiam resolver muitos dos problemas” atuais.  “Tenho uma opinião pessoal de que os túneis poderiam resolver muitos dos problemas que estamos a viver e podiam aproximar também a serra da Estrela de outras geografias, de outras latitudes, e, portanto, poderíamos ter uma Serra da Estrela mais transitável, que comunicasse melhor e que pudesse receber ainda mais pessoas por isso”, declara.

E rematou: “Do ponto de vista teórico parece-me uma boa solução. Do ponto de vista técnico e prático, não sei efetivamente se seria possível ou não, tendo em conta que estamos numa área protegida chamada Serra da Estrela”.

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