José R. Pires Manso
Comprar casa em Portugal é um quebra-cabeças para imensa gente, dos jovens aos adultos menos remediados. Há municípios onde os preços são relativamente baixos, se comparados com a mediana nacional. Casos de Pampilhosa, Nisa, Sabugal, Penamacor, Santana e Lages dos Açores, Cadaval, Baião, Sátão, Melgaço e Alcoutim (2025). E também há concelhos onde no mesmo ano os preços até baixaram: Golegã, Pampilhosa da Serra e Pombal lideram as descidas dos preços das casas em 2025, revela o Idealista. Isto com base nos valores do INE e do Idealista e valores entre novembro de 2025 e o mesmo mês do ano anterior.
O ano de 2025 caracterizou-se por uma contínua subida dos preços das casas à venda em Portugal, resultado do desequilíbrio crescente entre a escassa oferta de imóveis e a forte procura por parte dos jovens e menos jovens, dos mais e menos ricos, dos nacionais e estrangeiros. Outra característica do mercado é o enorme desequilíbrio do mercado entre todos os distritos do litoral onde estão as grandes cidades, e sobretudo nestas, e os do interior e ilhas dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Os dados nacionais evidenciam realidades e dinâmicas de preços muito heterogéneas a nível local.
Também a dinâmica de preços demonstra que houve municípios onde as casas para comprar até conseguiram ficar mais baratas embora a tendência geral seja de grande subida. De facto, em pelo menos 15 municípios houve descidas dos seus preços em 2025 a maior das quais na Golegã, distrito de Santarém, onde o preço mediano da habitação desceu 15,3% para 1.083 euros por metro quadrado (euros/m2) (idealista); seguem-se Pampilhosa da Serra, em Coimbra, que atingiu um valor mediano de 477 euros/m2, refletindo uma descida de 12,3% entre novembro de 2025 e o mesmo mês do ano passado (2025), e Pombal, em Leiria, onde os preços caíram 8%, fixando-se nos 1.162 euros/m2. Seguem-se na lista Alcoutim, no distrito de Faro, que chegou aos 1.081 euros/m2 (-6,7%), dois municípios do Alentejo, Borba e Portel, ambos no distrito de Évora, que apresentaram reduções/baixas idênticas, de -5,3%, com valores medianos da habitação de 875 euros/m2 e 758 euros/m2, respetivamente. Há ainda nesta lista em que os preços baixaram outros municípios com dinâmica semelhante como, por exemplo, o distrito da Guarda, em que Gouveia atingiu os 594 euros/m2, após uma descida anual de 4,7%, e a Chamusca, em Santarém, em que os preços das casas recuaram 4%, situando-se nos 756 euros/m2. Também no distrito de Portalegre o custo mediano da habitação no concelho de Avis se fixou nos 683 euros/m2 (-3,2%), e no distrito de Coimbra, ainda no centro do país, Penacova registou um preço mediano de 500 euros/m2, após uma redução de 3,1%, e Tábua, desceu para 665 euros/m2 (-2,1%). E em Leiria, Figueiró dos Vinhos apresentou uma quebra de 2%, com o preço por metro quadrado da habitação a atingir os 715 euros.

Essa dinâmica de redução de preços também atingiu o norte do país, onde Melgaço, no distrito de Viana do Castelo, registou um valor de 544 euros/m2, após uma descida de 1,8%, Vila Real, o preço das casas na capital de distrito homónima caiu 1,6% para 1.343 euros/m2, enquanto Vizela, no distrito de Braga, encerrou a lista das maiores quedas do custo das casas à venda, com um decréscimo de 1,4% e um preço mediano de 1.425 euros/m2.
Mas paralelamente às descidas de preços em 2025, interessa saber quais os municípios mais baratos para comprar casa de cada distrito e ilha. Assim, no distrito de Coimbra, Pampilhosa da Serra em 2025 voltou a ser o mercado residencial mais acessível de todos os analisados, com o custo mediano da habitação nos 477 euros/m2, quando em Portalegre, Nisa apresentou um valor mediano de 498 euros/m2 e na Guarda, o Sabugal foi o município mais barato para comprar casa (505 euros/m2), enquanto Penamacor, bem ao lado, é o concelho mais acessível de Castelo Branco (510 euros/m2).
Os arquipélagos dos Açores e Madeiras alguns municípios estão também entre os mais baratos para adquirir casa. De facto, na ilha da Madeira, Santana manteve-se como o município mais económico para adquirir habitação, ao preço mediano de 1.792 euros/m2 e no arquipélago dos Açores, Lajes do Pico destacou-se com 1.084 euros/m2.
Voltando ao continente, Cadaval revelou-se o município mais barato do distrito de Lisboa para comprar casa (1.550 euros/m2), enquanto Baião, no distrito do Porto, é o concelho mais acessível (957 euros/m2). Vêm, a seguir, Sátão (no distrito de Viseu), Melgaço (distrito de Viana do Castelo) e Alcoutim (no distrito de Faro) estão também entre os mais acessíveis das respetivas regiões, com preços abaixo da mediana nacional

