Hélio Fazendeiro recusa cenário alarmista nas contas da Câmara

Resultado líquido negativo, de mais de três milhões, foi aprovado, por maioria, na assembleia municipal. Autarca elogia taxa de execução e diz que a Câmara não é para dar lucro

Apesar de só ter governado durante dois meses, o presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, disse assumir “por completo” as contas da autarquia relativas a 2025, que tiveram um resultado líquido negativo superior a três milhões de euros, e que foram aprovadas, por maioria, na última assembleia municipal realiza na passada segunda-feira, 27.

O documento mereceu voto favorável da bancada socialista, a abstenção do Movimento Independente pelas Pessoas (MIPP) e PSD, e voto desfavorável de Chega, CDS-PP e PCP (28 votos a favor, 11 abstenções e sete votos contra).

Hélio Fazendeiro reconheceu que não se fez “tudo o que era necessário” para desenvolver a Covilhã, mas “fizemos tudo o que era possível”, elogiando a taxa de execução que se situou nos 85%. O autarca rejeitou alarmes sobre os resultados negativos, e lembrou que a autarquia não está para dar lucro, mas sim para servir as pessoas. “Comigo a Câmara não é uma empresa privada. Não contarão com este presidente para pôr a Câmara a dar lucro”, garantiu, dizendo que a prioridade é realizar investimento público, apoiar famílias, associações e IPSS. Hélio Fazendeiro acredita que as contas estão “equilibradas” e têm uma “forte execução na receita e investimento sustentado.”

O Chega, que votou contra, disse que o fez por “responsabilidade institucional” face ao resultado líquido negativo, reservas do auditor e dúvidas sobre o impacto das participações financeiras. Pelo CDS/PP, João Bernardo considerou as contas muito negativas, e com uma baixa execução do plano plurianual de investimentos, na ordem dos 39%. A falta de concretização, diz, é refletida em saldos de gerência que ficam de uns anos para os outros. “São estes 18 milhões de euros de saldos de gerência que não permitem qualquer dúvida sobre a negatividade destas contas”, assegura.

MIPP e PSD abstiveram-se. Nuno Pais, social-democrata, disse que o documento está “longe de ser tranquilizador”, é um “espelho da gestão política do executivo” e centrou críticas na certificação legal com reservas, no resultado líquido negativo e na execução orçamental. “Mudou a comunicação, mudou os rostos, mas a gestão continua a ser a mesma”, acusou. Já o MIPP, por Ana Branco, justificou a abstenção com o facto de não ter tido intervenção política em 2025 e o facto de o atual executivo só ter exercido funções nos dois últimos meses do ano.

Quanto à maioria socialista, pela voz de Pedro Bernardo, destacou indicadores que, salienta, demonstram robustez financeira e capacidade de investimento. O deputado socialista salientou que a receita corrente continua superior à despesa corrente em mais de 6,5 milhões de euros e que o município “continua a financiar investimento com a atividade corrente, sendo este um sinal de um município que investe no seu futuro sem se hipotecar”. Pedro Bernardo valorizou ainda o aumento da receita fiscal sem agravamento de impostos municipais, defendendo que isso reflete maior dinamismo económico no concelho. “Se mantemos as taxas em mínimos e aumentamos a nossa receita, é porque a nossa atividade económica aumentou”, afirmou.

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