O início dos trabalhos prevê-se “até final de março” e com uma duração estimada “de seis meses”. É esta a informação adiantada ao NC pela Infraestruturas de Portugal (IP) sobre a reparação de um talude de aterro onde ocorreu, a 11 de fevereiro, um deslizamento de terras, que levou à suspensão do troço entre Mouriscas A e Vila Velha de Ródão na Linha da Beira Baixa, que, assim, só deverá reabrir na totalidade em setembro.
Desde as intempéries de janeiro e fevereiro que a Linha está suspensa nesse troço estando em curso “inspeções regulares e extraordinárias e trabalhos de limpeza.” Segundo a IP, o mau tempo provocou um deslizamento num talude de aterro ao PK 39,200, com cerca de 15 metros de altura, situado entre as estações de Belver e Barca de Amieira, na margem direita do Rio Tejo. “Este deslizamento, ocorrido em zona de curva, provocou o colapso parcial da via, reduzindo a resistência lateral numa extensão de 30 metros, o que levou à suspensão da circulação no troço, garantindo a segurança de pessoas, bens e operações ferroviárias”, salienta a empresa.
A IP explica ao NC que, face à impossibilidade de aceder à base do talude devido à atual inavegabilidade do Rio Tejo, foi definida “uma solução expedita que prevê a construção de uma laje de betão apoiada em microestacas onde será assente a via. À data já estão a ser realizadas as sondagens para definir o comprimento das microestacas e os meios a afetar à frente de obra, permitindo concluir o Projeto de Execução”.
Os trabalhos devem arrancar até final do mês, prolongando-se por seis meses. Até lá, a IP garante estar a articular com os operadores ferroviários “as soluções de transbordo, com o objetivo de mitigar os impactos na mobilidade dos passageiros.”
Desde a suspensão, algumas entidades já se queixaram das alterações que a mesma provocou. A Associação Move Beiras já lamentou que neste momento, a oferta entre Covilhã e Guarda tenha passado de dez comboios diários para quatro, pedindo que o transbordo rodoviário entre Abrantes e Castelo Branco seja efetivo, e a colocação de mais regionais a fazer o troço Guarda-Castelo Branco. Nuno Fazenda, deputado covilhanense do PS na Assembleia da República, já levou o tema à mesma, lembrando ao Governo que “existe Beira Baixa” e uma atuação idêntica à que se teve em Coimbra com o colapso da autoestrada para Lisboa. “Há mais País para além da A1”, lembrou.
Em comunicado, o PCP de Castelo Branco recorda os “graves prejuízos” causados à população e economia da região, e que os danos na infraestrutura agravam de forma significativa “os já conhecidos problemas de mobilidade que afetam as populações do Interior.” Os comunistas lembram que, apesar de todo o troço entre Castelo Branco e Guarda se encontrar operacional, “a oferta tem-se limitado ao serviço regional, mantendo-se suspensa a circulação de comboios Intercidades durante largos períodos. Esta situação traduziu-se numa redução drástica da oferta ferroviária: entre Castelo Branco, Fundão e Covilhã, a oferta foi reduzida para metade; no troço Covilhã–Guarda, a redução foi ainda mais severa, passando de 10 para apenas 4 comboios diários, comprometendo seriamente a mobilidade das populações.”
O PCP já perguntou ao Governo que medidas “urgentes” estão previstas para assegurar a reposição integral e definitiva da circulação ferroviária na Linha da Beira Baixa, qual o calendário de obras, que medidas mitigatórias serão adotadas, “de imediato”, para minimizar os impactos da redução da oferta, nomeadamente no troço Covilhã–Guarda, e que diligências foram ou serão desenvolvidas junto da CP – Comboios de Portugal e da Infraestruturas de Portugal para assegurar uma resposta célere e adequada às populações afetadas. “O investimento na ferrovia constitui uma opção estratégica para o desenvolvimento equilibrado do País e para a garantia do direito à mobilidade, não podendo as populações da Beira Baixa continuar a ser penalizadas por sucessivos atrasos, omissões e insuficiência de meios”, salienta o PCP.
A Juventude Socialista (JS) de Castelo Branco também manifesta a sua preocupação com a situação que “tem consequências graves para as populações que diariamente utilizam este eixo estruturante de mobilidade. São muitas as pessoas que dependem da Linha da Beira Baixa para trabalhar, estudar ou aceder a serviços essenciais e que, neste momento, ficam privadas de um meio de locomoção fundamental. Acresce ainda a injustiça de muitos utentes continuarem a pagar o passe ferroviário sem poderem usufruir plenamente do serviço para o qual contribuem”, salienta.
Foto: Ruben Pires
