Lonas viram peças de moda na Covilhã

Material de outdoors publicitários aproveitado para fazer carteiras, bolsas ou capas, entre outros

Carteiras, bolsas de praia, bolsas de telemóvel, chapéus, capas de livros e de blocos, entre outros. É nestes objetos que, antigas lonas de outdoors publicitários, e desenhos feitos no seio familiar de um designer de moda, se estão a transformar, na Covilhã, no Hub Criativo Portas do Sol, espaço criado pela Câmara para promover a produção artística. O projeto foi apresentado esta manã, publicamente, e visa dar uma nova vida a material que, de outra forma, poderia ir para o lixo, transformando-o em peças de vestuário.

“Queremos promover a sensibilização e capacitação relativamente à redução da pegada ecológica no setor da moda”, explicou a vereadora com o pelouro da Cultura, Regina Gouveia.

Segundo a autarquia, o projeto do Hub Criativo arrancou em 2025 com o polo têxtil, a funcionar na antiga Casa dos Magistrados, e visa o acolhimento de talentos, designadamente alunos a finalizar a sua formação e jovens em início de carreira, que têm ao dispor equipamentos e apoio técnico para a concretização de projetos artísticos na área do têxtil.  Afirmando-se como um espaço de experimentação e capacitação para a comunidade, este projeto “faz uma aposta clara na sustentabilidade, promovendo o reaproveitamento de excedentes e de desperdícios têxteis que são oferecidos pelas empresas da região, em regime de mecenato”, garante a autarquia em comunicado.

Esta transformação de antigas lonas em acessórios de moda é um trabalho que, segundo a edilidade, evita que as mesmas acabem em aterro. Nesta operação também são utilizados desperdícios têxteis, nomeadamente para a confeção dos forros. Segundo a Câmara, estas novas peças cumprem o objetivo da sustentabilidade e continuam a comunicar, seja pelo padrão que recupera o evento que tinha sido publicitado, seja através da memória descritiva que acompanha a peça, detalhando os materiais usados e respetiva proveniência. “São peças que nos dão pistas e nos convidam a partir à descoberta”, resume Regina Gouveia, lembrando que, por outro lado, o projeto também se interliga com a chancela da Covilhã como Criativa da UNESCO na área do Design.

As criações resultam do design desenvolvido nos serviços municipais e do saber fazer de uma técnica de apoio ao serviço educativo e de formação, que, além dessas tarefas, executa os trabalhos de corte, costura e confeção de cada material. Com larga experiência no setor têxtil, esta antiga operária fabril encontra neste projeto uma motivação extra e mais uma forma de aplicar os seus conhecimentos. “O principal desafio foi adaptar-me a uma nova textura, depois foi pôr a imaginação a funcionar e experimentar. Vou experimentando, testando e fazendo”, conta Luísa Matos.

Luísa Matos trabalha no mesmo espaço que, durante os últimos meses, acolheu Nuno Gomes, enquanto mestrando do curso de Design de Moda da Universidade da Beira Interior a desenvolver a parte prática de um projeto que explora a componente técnica e simbólica da alfaiataria tradicional. No final, e explorando novas oportunidades estéticas para técnicas de alfaiataria, este estudante criou peças de vestuário de moda que incorporam desenhos feitos pelas primas mais novas e cores ligadas à sua infância. Também não esqueceu a componente da sustentabilidade, bem presente na seleção das matérias-primas e materiais com menor impacto ambiental.

Nuno Gomes, que, entretanto, já está a trabalhar como designer numa empresa do concelho, destacou ainda a importância que o Hub Criativo Portas do Sol teve no seu percurso académico e início da vida laboral. “Sem o Hub não conseguia financiar o projeto e ter acesso a estas condições”, afiança.

 

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