Uma mobilização transfronteiriça “inédita”, promovida pela Aliança Territorial Europeia (ATE) Norte da Extremadura & Beira Baixa, e que junta espanhóis e portugueses em prol da conclusão do IC31. É isto que está marcado para esta quarta-feira, 20, a partir das 17:45, junto à Ponte Internacional de Monfortinho, Idanha-a-Nova, onde decorre a primeira concentração ibérica que exige o início das obras, em 2026, para ligar Madrid a Lisboa em 2029
Sob o mote “Cooperar para travar o despovoamento”, esta mobilização une autarcas, instituições e populações dos dois lados da raia numa exigência firme aos Governos de Lisboa e Madrid: o início das obras já em 2026 para a conversão em Autoestrada do eixo EX-A1 (Moraleja) – Castelo Branco (A23). “Esta infraestrutura é crucial para assegurar a ligação direta entre Madrid e Lisboa, pelo Norte da Extremadura e pela Beira Baixa, concretizando este corredor estratégico até 2029”, salienta a Câmara de Idanha-a-Nova em comunicado.

A autarca local, Elza Gonçalves, já frisara a urgência “absoluta” da construção dos 72 quilómetros em falta do IC31 em perfil de autoestrada, ligando Alcains (A23) às Termas de Monfortinho. E sublinhou que a implementação desta infraestrutura não é um privilégio, mas uma questão de justiça e coesão territorial. “Quando falamos do IC31, não falamos apenas de uma estrada. Estamos a falar da possibilidade de reescrever o posicionamento da região no mapa, não como periferia, mas como centro”, destacou Elza Gonçalves.
A autarca realçou que a centralidade geográfica de Idanha-a-Nova deve ser acompanhada de uma centralidade de investimento. “A moeda que utilizamos aqui, junto à fronteira, é exatamente a mesma que se utiliza em Lisboa ou Madrid. Pagamos os mesmos impostos e cumprimos as mesmas obrigações. O que exigimos é equidade. Viver no Interior não pode significar ter menos oportunidades”, disse.
A União dos Sindicatos de Castelo Branco (USCB/CGTP-IN) vai associar-se ao protesto. E considera que a concretização do IC31 não é apenas uma necessidade de infraestrutura rodoviária. “É uma exigência socioeconómica urgente para o futuro dos trabalhadores, das populações e das empresas da Beira Baixa”, salienta, recordando que a ausência de uma ligação digna em perfil de autoestrada “tem penalizado gravemente a região Interior do País.” Para justificar a urgência da obra, a USCB destaca fatores como o fim do isolamento regional, a atração de investimento e emprego, a segurança e mobilidade, e o eixo estratégico Lisboa-Madrid. “O IC31 é o corredor ibérico mais curto e lógico para aproximar as duas capitais. Potencia dinâmicas reais de cooperação transfronteiriça com a Extremadura espanhola”, justifica.
“A coesão territorial só se constrói garantindo às populações locais as mesmas oportunidades atribuídas ao Litoral do País”, vinca a USCB, que apela à mobilização de todos os trabalhadores, delegados sindicais e cidadãos da região para estarem presentes na manifestação.
