A pretensão é colocar a funcionar “o mais rapidamente” a nova ala da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI) do Centro de Apoio Social de Maçaínhas, no concelho de Belmonte. Que no passado domingo, 22, foi inaugurada, e contempla mais 12 camas para utentes, somadas às 12 já existentes, duplicando assim a capacidade do lar. Mas o presidente da direção da instituição, José Carlos Birra, não tem dúvidas que este aumento vai esgotar rapidamente. “As inscrições têm aumentado significativamente nos últimos dois meses, e as novas camas estão praticamente preenchidas”, salienta.
Ampliar as instalações era uma aspiração da direção de há já algum tempo. Na antiga escola primária já havia resposta social para 12 pessoas, mas o espaço era exíguo, até em termos operacionais, com uma lavandaria diminuta, e poucas condições de trabalho para as auxiliares. Desde o passado domingo que a situação mudou, com a concretização de um projeto iniciado em 2022, mas que foi complicado. “Foi um trajeto difícil, numa obra tão ansiada pela população. Passamos a ter um número de utentes que nos dá uma maior tranquilidade, e sustentabilidade. Ao longo destes 29 anos de existência tem sido a nossa preocupação, garantindo o futuro destes serviços. O apoio domiciliário passa também a ser possível para 20 utentes”, conta José Carlos Birra, que recorda que o projeto inicial era de 400 mil euros, mas no final a empreitada custou mais de 600 mil euros. O investimento contou com o financiamento do Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais (PARES) de terceira geração, em cerca de 50% (265 mil 557 euros), mas a instituição teve que ir à procura do resto, de modo a assegurar a sua componente própria. Fê-lo com a ajuda de sócios, beneméritos, e da Câmara de Belmonte, que aprovou um apoio total de 165 mil euros, 65 mil em outubro do ano passado, ainda com o executivo liderado por Dias Rocha, e mais 100 mil este mês de março, já com o executivo de António Luís Beites. Ajudas que o presidente da direção agradeceu.

“Era um grande desafio. E a concretização deste projeto é da partilha de muitas vontades. Com mais estas 12 camas queremos impedir a saída dos nossos idosos para outras terras”, salienta José Carlos Birra, que elogiou o apoio camarário que “nos deixa mais tranquilos”. O líder diretivo recorda que os quartos estão virados para aldeia, de modo a que a ligação dos utentes com a sua própria terra não se desvaneça. A prioridade, em termos de ocupação, é ter gente de Maçaínhas. “ Queremos que este lugar seja também a oportunidade para reavivar memórias. Que a aldeia esteja visível para todos, que as pessoas mantenham a relação que sempre tiveram com a sua terra”, explica José Carlos Birra. O responsável admite que hoje, ir para um lar, não é fácil. “Os valores têm vindo a aumentar, isso preocupa-nos. Mas vamos lutar por apoiar os nossos idosos, da nossa freguesia, e do concelho, que sejam mais vulneráveis em termos financeiros”, garante José Carlos Birra. “Neste momento, dos 12 utentes que temos, há alguns de fora do concelho, e nos próximos 12, possivelmente, mais alguns serão de fora”, frisa.

O líder diretivo recorda que o Centro também acaba por criar postos de trabalho, mas que hoje, recrutar colaboradores para a área social, nem sempre se consegue. “Não está fácil o recrutamento. Neste momento temos 12 pessoas e estamos à procura de mais pessoas, mas de momento, não está fácil”, garante.
Presente na cerimónia, o presidente da Câmara de Belmonte, António Luís Beites, destacou o empenho dos envolvidos para que as obras aparecessem, “mesmo contra todas as dificuldades”, destacando a “grande obra” que aumenta a capacidade da instituição e, também, “a sua sustentabilidade”. “Acredito que sejam capazes, no futuro, de avançar para outros projetos. Hoje, os da área social, são prioritários, até porque a procura é quase sempre superior à oferta, e estou convicto que estas 12 camas serão ocupadas rapidamente”, salientou.
