Mancha esteve nos Jogos Paralímpicos e ambiciona a qualificação de portugueses

O técnico nacional de snowboard lamenta não ter conseguido, “por pouco”, o apuramento de snowboarders lusos, foi convidado para estar em Pequim com a comitiva brasileira, mas apela a quem tenha limitações físicas e interesse para se deslocar à Serra da Estrela e experimentar gratuitamente fazer esqui e snowboard
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Nuno Marques, conhecido nos desportos de Inverno como Mancha, é instrutor na Estância da Serra da Estrela e técnico nacional de snowboard, mas, com o atleta português que treina a falhar por muito pouco o apuramento, foi com as cores do Brasil que esteve entre 4 e 13 de Março nos Jogos Paralímpicos de Inverno Pequim2022.

Natural da Amadora, com raízes familiares no sopé da Serra da Estrela, em Teixeira, Mancha, de 45 anos, deixou a vida de contabilista em Lisboa e mudou-se há dez anos para as Penhas da Saúde para abraçar por inteiro a paixão pela neve.

Técnico de snowboard da Federação de Desportos de Inverno de Portugal, acompanha, entre outros, a esperança lusa Christian Oliveira, que por três lugares não integrou a comitiva aos Jogos Olímpicos de Inverno, e o atleta de snowboard adaptado Pedro Herdeiro, com o qual conheceu, numa prova internacional, o `rider` brasileiro José Lima, que o convidou para ser seu treinador e acabou também a acompanhar o snowboarder André Barbieri, em Pequim 13.º classificado nas provas de snowboard cross e blanked slalom na categoria LL1, para amputados abaixo do joelho.

“Foi uma das melhores experiências da minha vida. Embora seja um meio que já conheço, acabei por aprender muito, há um grau de exigência elevado e, no snowboard, há uma grande partilha de conhecimento, que me permitiu evoluir”, disse Mancha, em declarações ao NC.

Embora não saiba se vai continuar a acompanhar os atletas brasileiros, o grande objectivo de Nuno Marques é “conseguir qualificar um atleta português para os Jogos Olímpicos de Inverno e para os Jogos Paralímpicos” de Milão-Cortina2026.

“Tive pena que nem o Herdeiro nem o Christian conseguissem. Às vezes, as pessoas não sabem que existe uma equipa, um treinador, que a federação faz um esforço grande para irmos às competições. Apesar de não ter sido agora, acho que nos próximos quatro anos vamos conseguir mais atletas, tanto no snowboard como no snowboard adaptado e o objectivo é conseguimos a qualificação para Cortina”, acentuou Mancha, que frisou “acreditar verdadeiramente” nesse cenário.

Treinador apela a interessados para experimentarem o desporto adaptado

O treinador mostra-se convicto que a cadeira de esqui adaptado disponibilizada gratuitamente na Estância da Serra da Estrela pode aproximar mais atletas da modalidade e apela a que quem tem essa curiosidade experimente o equipamento, para perceber se gosta e se eventualmente se quer tornar praticante.

“Até experimentarmos, não sabemos se gostamos. A cadeira vai permitir que mais pessoas percebam se gostam daquele desporto e mais pessoas depois optem por continuar a usá-la até um ponto de chegar a uma qualificação paralímpica”, referiu Mancha.

No caso do snowboard, dá o exemplo de Pedro Herdeiro, com esclerose múltipla, que começou a praticar com uma prancha normal, como qualquer pessoa pode fazer, mesmo amputados nos membros superiores ou inferiores, ainda que, para competir e obter melhores resultados, os amputados acima do joelho já precisem de próteses especiais, com amortecedores.

“É só marcar a aula e experimentar. A federação apoia neste sentido e de certeza que fará o mesmo que no esqui, que é proporcionar uma experiência gratuita para quem quiser. As possibilidades estão cá, a federação está muito focada, tem uma particular preocupação com a inclusão de todas as pessoas e daí a aposta na cadeira e em ter monitores aptos, com formação. Temos tudo para sermos mais e melhores”, antecipa Nuno Marques.

Estar nos Jogos Olímpicos ou Paralímpicos de Inverno com as cores nacionais é, mais do que um desejo, uma ambição que a Mancha parece palpável.

Na China representou as cores do Brasil, experiência que sentiu como “um orgulho pessoal muito grande”, não fosse a companheiro com quem vive há 14 anos carioca e sentir-se também em parte brasileiro.

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