Vai decorrer, a 20 de maio, uma manifestação popular ibérica que juntará autarcas, agentes económicos e populações de ambos os lados da fronteira entre Portugal e Espanha, na zona da raia, para exigir a conclusão do que falta fazer no IC31. O anúncio foi feito ontem, segunda-feira, 13, pela Câmara de Idanha-a-Nova, em comunicado.
Segundo o município, a autarca local, Elza Gonçalves, participou na quarta Reunião Ibérica da Aliança Territorial Europeia, ontem, no salão nobre dos Paços do Concelho de Castelo Branco, onde reiterou a urgência “absoluta” da construção dos 72 quilómetros em falta do IC31 em perfil de autoestrada, ligando Alcains (A23) às Termas de Monfortinho, no concelho de Idanha-a-Nova. Durante a sua intervenção, Elza Gonçalves sublinhou que a implementação desta infraestrutura não é um privilégio, mas uma questão de justiça e coesão territorial. “Reunimo-nos hoje para falar de futuro, mas também de respeito por um território e por um povo que nunca desistiu”, afirmou a presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova. “Quando falamos do IC31, não falamos apenas de uma estrada. Estamos a falar da possibilidade de reescrever o posicionamento da região no mapa, não como periferia, mas como centro”, destacou Elza Gonçalves.
A autarca realçou que a centralidade geográfica de Idanha-a-Nova deve ser acompanhada de uma centralidade de investimento. “A moeda que utilizamos aqui, junto à fronteira, é exatamente a mesma que se utiliza em Lisboa ou Madrid. Pagamos os mesmos impostos e cumprimos as mesmas obrigações. O que exigimos é equidade. Viver no Interior não pode significar ter menos oportunidades”, disse.

Com um investimento previsto superior a 230 milhões de euros, o IC31 é encarado como o “fator determinante para a quebra definitiva do isolamento”. De acordo com Elza Gonçalves, esta via rodoviária irá permitir que as empresas locais coloquem os seus produtos a uma distância competitiva da Europa e ajudará a fixar talento no território. “Queremos que os nossos jovens possam ficar, não por falta de opção, mas por escolha. Queremos que quem saiu possa regressar e que quem nunca cá viveu olhe para Idanha-a-Nova como um lugar de oportunidade”, declarou.
A autarca lembrou ainda que Idanha-a-Nova tem sido um exemplo de resiliência, mas que as acessibilidades são um desafio que o concelho não consegue ultrapassar sozinho. “O IC31 abre portas para mais investimento, mais turismo e mais qualidade de vida. É um projeto de futuro que se constrói com a nossa voz”.
Como parte do plano de ação aprovado para 2026, foi convocada uma manifestação de mobilização cidadã para dia 20 de maio de 2026. O protesto terá lugar na Ponte Internacional de Monfortinho (Espaço de Portugal), entre as 18h30 e as 19h30 (hora portuguesa). Segundo a autarquia idanhense, esta iniciativa surge em paralelo com uma agenda de reuniões estratégicas com os Grupos Parlamentares na Assembleia da República, em Lisboa, e na Assembleia da Extremadura, em Mérida, visando garantir que o IC31 seja “assumido como prioridade absoluta nas agendas governamentais de Portugal e Espanha.”
