A criação coletiva de uma manta, de grandes dimensões, que irá cobrir uma casa do Centro Histórico, e integrar o roteiro de arte da cidade, é uma das grandes novidades da 13ª edição do Wool- Festival de Arte Urbana, o mais antigo do País e um dos mais antigos do mundo, que decorre na Covilhã entre 11 e 21 de junho.
O certame foi apresentado ontem e conta, segundo a organização, a cargo da Mistaker Maker- Plataforma de Intervenção Artística, de novo com uma programação multidisciplinar, de intensa criação e ocupação do espaço público, ambicionando continuar a assumir-se como “exemplo de transformação do território e da comunidade através da arte e da cultura, dando continuidade à sua missão fundacional de descentralização cultural, de inclusão e coesão social e territorial.”
Lara Seixo Rodrigues, responsável pela organização do Wool, acredita que a arte e a cultura são “a primeira linha de defesa democrática e a fonte do espírito comunitário, da imaginação e da resiliência de que as nossas sociedades necessitam. De que a nossa comunidade necessita. Mais do que nunca, ambicionamos afirmar o Wool como um projecto e manifesto artístico coletivo, cientes de que quando nos juntamos em torno de uma construção comum, nos (re)conhecemos, nos aproximamos e podemos imaginar espaços comuns, podemos sonhar novos futuros, verdadeiros territórios de esperança, mais inclusivos, mais coesos, mais sustentáveis e com mais amor.”
Assim, o Wool contará com três ações artísticas comunitárias. O “A nossa casa”, que já está a decorrer, e em que a comunidade, com pequenos quadrados ou retângulos de crochet, trico ou outras técnicas, cria uma super-manta que irá cobrir uma casa no Centro Histórico, convocando “simbolicamente ao cuidado com todas as casas, com a casa-rua, com a casa-cidade, com o casa-planeta.” Haverá, também, a Marcha pela Esperança, que sairá à rua na tarde de 19 de junho, orientada pelo artista Mantraste e que será o resultado de uma série de oficinas junto de alunos do 1º e 2º ciclos de escolas do concelho da Covilhã que irão expressar os seus anseios e preocupações sobre o futuro. Também, no seguimento da edição de 2025, haverá o “Wool Circular”, que resultou na reutilização das lonas publicitárias do festival para produção de equipamento e peças de merchandising, sob orientação da artista Madalena Martins e produção a cargo de um conjunto de reclusos do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira. Neste pós-edição, as lonas serão entregues à UBI para a co-criação de instalação no âmbito do projecto internacional “Eurotales: Less waste connecting identities”, desenvolvido pela Faculdade de Artes e Letras e centros de investigação IA de França, Roménia e Itália.
Nesta edição, ainda em termos comunitários, dá-se o regresso à Covilhã do projecto pioneiro Lata 65 | workshop de arte urbana para idosos, em duas tardes que culminarão num mural participativo no centro da Covilhã, criado exclusivamente por maiores de 65 anos, e haverá um almoço comunitário, precedido de uma corrida, uma novidade da programação que assim junta o desporto à visitação e conhecimento do roteiro de arte urbana da Covilhã. Outra novidade é o Correio Wool, em que os participantes são convidados a enviarem um postal Wool aos seus entes queridos.
No que toca ao bloco programático mais caraterístico do Festival, as pinturas murais e instalações artísticas, que constituem o roteiro de arte urbana “que é hoje uma das marcas mais relevantes e autênticas da cidade”, está confirmada a presença de vários artistas visuais e muralistas “de elevada qualidade e reconhecimento internacional, oriundos de várias partes do planeta”, salienta a organização.
Da África do Sul, Ben Johnston irá pintar um mural de grande dimensão na parte baixa da cidade, naquela que é a primeira incursão do Wool para esta zona. De Itália, Tellas irá plasmar a sua estética abstrata influenciada pela “paisagem e pelos ritmos da natureza” no edifício da APAE — Associação de Antigos Professores, Alunos e Empregados da Escola Campos Melo, situado no Pelourinho. Do Canadá, o coletivo canadiano Nasarimba fará uma intervenção, já durante o mês de maio, no âmbito de um programa financiado pelo Calgary Arts Development (Canadá) para realização de uma tour europeia com paragens em Berlim, Milão e Covilhã, A representação portuguesa ficará a cargo do Projeto Ruído, que regressa ao festival para fazer um mural alusivo aos 100 anos do Orfeão da Covilhã (1926-2026), e de Mariana, a miserável, que irá criar 10 painéis de azulejo inspirados na identidade local, a ser instalados em vários locais do Centro Histórico.
No que se refere às instalações artísticas, o Wool 2026 recebe o coletivo espanhol Penique, que criará uma instalação habitável de grande dimensão num lugar inusitado que ainda não foi divulgado, e Addam Yekutieli conhecido pelo pseudónimo Know Hope, artista e ativista nascido nos Estados Unidos a residir em Israel-Palestina, que cria projetos de prática social, instalações imersivas e obras de arte públicas.

Na música, a programação faz-se de residências artísticas, concertos e mini-concertos, momentos espalhados novamente por vários locais da cidade. Em residência artística, Noiserv junta-se ao Conservatório de Música da Covilhã para um encontro especial cujos resultados serão apresentados na noite de 19 de junho. O já costumeiro concerto de sábado à noite (20 de junho) ficará a cargo dos Unsafe Space Garden, banda vimaranense de rock alternativo e inclassificável. Como já é costume desde 2024, os mini-concertos voltam a ser palco do talento local e regional em três fins de tarde (16, 17 e 18 de junho) como forma de “ativar os murais em execução, levando a população a presenciar de perto o processo criativo dos artistas e a descobrir “novos” e inusitados lugares da cidade.”
Estão ainda previstas visitas guiadas ao Roteiro de Arte Urbana Wool, a 14 e 21 de junho, que contarão com uma intérprete de linguagem gestual, no dia 17, às 15 horas, haverá espaço para uma visita guiada em carro eléctrico para pessoas com mobilidade condicionada, e estão previstas visitas a museus e espaços da cidade.
Outra das novidades na edição dos 15 anos de Wool é a literatura. Durante os 11 dias de festival, o jovem escritor beirão Bernardo Fortuna acompanhará todos os momentos do evento como matéria-prima para a sua residência de literatura. O resultado literário desta residência será publicado e apresentado na edição de 2027.
Debates, oficinas, documentários, exposições e um jogo de quizz, com 120 perguntas sobre a arte urbana na Covilhã, fazem ainda parte da programação deste ano.
