Memórias de uma Garagem que foi icónica escola de mecânica

A histórica Garagem de São João foi adquirida no final do ano que terminou. O NC foi à procura de memórias de um local que foi escola para muitos covilhanenses
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Carolina Fernandes/Diogo Parente

Depois de quase três décadas desactivado, o edifício da Garagem de São João despertou interesse de um comprador. “Já tivemos várias propostas de aquisição, esteve quase vendido no ano passado, mas acabou por cair o negócio. Agora chegou um investidor da zona da grande Lisboa e o negócio está efectivado”, explica Pedro Ferreira, consultor imobiliário responsável pela venda do espaço da Garagem de São João. 

Apesar de ainda não se saber o fim que vai ser dado ao edifício (há quem aponte que para fins hoteleiros), o consultor afirma que “a arquitectura é única e é de excelente construção”, motivando a compra, uma vez que “já não se fazem este tipo de construções”.  Um dos outros motivos que levaram à compra do espaço, deve-se ao facto de a Covilhã ser uma cidade universitária e turística devido à Serra da Estrela, segundo Pedro Ferreira. 

Apesar do futuro estar próximo, o NC foi à procura do passado através das pessoas que de perto viveram aquele espaço carismático da cidade. É o caso de José Valério, de 75 anos, que relembra o ambiente que se vivia na Garagem de São João. “Havia muito movimento, trabalhávamos à volta de 100 pessoas e o ambiente lá era muito bom”. O icónico edifício, enquanto garagem, foi inaugurado em Março de 1958. Antes disso havia sido um teatro – “O Teatro Velho”. 

“Foi onde mais aprendi e me fiz homem”

Situado no coração da cidade, no Largo de São João de Malta, este destinava-se a camionagem e stand de vendas, como também a oficinas para recolha e reparação de veículos. “Era uma casa que tinha desde mecânica, chapa, pintura, estofador, lavagem, bombas de gasolina. Tinha isso tudo na década de 60 e parte da década de 70”.

José tinha cerca de 14 anos quando já aspirava trabalhar na Garagem de São João. “fazia de tudo para me admitirem e, quando consegui, foi a melhor coisa que me podia ter acontecido”. Trabalhou toda a sua vida como mecânico, admitindo que “foi onde mais aprendi e onde me fiz homem profissionalmente”.

“A grande escola dos mecânicos”

Segundo José, aquele local era “uma referência” e, na sua perspectiva, as outras oficinas da cidade ficavam aquém da sua qualidade. “A grande escola dos mecânicos na Covilhã, e na zona à volta, foi na Garagem de São João. Ir para aquela casa era como os adolescentes hoje em dia irem para a universidade”.

(Reportagem completa na edição papel desta semana)

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