Mês de Agosto e vínculo à empresa garantido na Dielmar

Ministério da Economia e administrador de insolvência vão trabalhar processo de insolvência, mas até lá, dizem, estão garantidos os ordenados deste mês
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Os trabalhadores da empresa de confeções Dielmar têm salvaguardado o salário do mês de agosto e o respectivo vínculo de trabalho, enquanto o Ministério da Economia e o administrador da insolvência trabalham o processo.

“Foram dadas todas as informações que recolhemos [sindicato] ao longo desta semana nas reuniões que tivemos [com o ministro da Economia e com o administrador da insolvência] e foi transmitido aos trabalhadores que, efectivamente, vão ser salvaguardados os salários do mês de Agosto e enquanto decorrer o processo”, afirmou na passada sexta-feira, 13, aos jornalistas, Marisa Tavares, do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Baixa.

A sindicalista falava após uma reunião com os trabalhadores da Dielmar, junto às instalações da empresa, em Alcains, no concelho de Castelo Branco. “Foi essa a informação que demos aos trabalhadores. Está tudo, neste momento, a ser trabalhado por parte do Ministério [da Economia] em conjunto com o administrador [da insolvência]. Queremos acreditar que é garantido, como é óbvio, mas sempre com alguma cautela”, sublinha a presidente do Sindicato.

Marisa Tavares disse que os trabalhadores não se apresentariam na empresa esta quarta-feira, 18, data em que terminavam o período de férias, como inicialmente estava previsto acontecer, caso não houvesse uma solução. A dirigente sindical espera que a resolução de todo o processo da Dielmar “seja rápido” e que “tenha um bom desfecho”. “Os trabalhadores têm que estar disponíveis para, em qualquer momento que sejam chamadas, virem a trabalhar”, conclui.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Baixa tinha manifestado a sua satisfação, na quarta-feira, após a garantia deixada pelo ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, em salvaguardar os postos de trabalho na Dielmar. “Vão acelerar o processo de venda da empresa, através do administrador da insolvência e com o apoio do Ministério da Economia. A intenção é trabalhar com os credores nesse sentido”, frisava. Segundo a sindicalista, “com isto, há a intenção de garantir uma solução para que os trabalhadores mantenham o vínculo laboral com a empresa”, um dos principais pontos defendidos pelos trabalhadores e pelo sindicato.

Maria Tavares mostrava-se satisfeita com a postura assumida pela tutela, que deixou ainda a garantia “de trabalhar numa solução para que os trabalhadores recebam no final de Agosto, o seu salário”. E adiantava que esta situação dos salários pode vir a estender-se por mais tempo. “Estamos satisfeitos com a salvaguarda dos postos de trabalho. Vamos acompanhar com cautela todo o processo. Temos que acompanhar de perto o processo e envolver nele os trabalhadores”, sustentava.

A presidente do Sindicato Têxtil da Beira Baixa realçava ainda que a tutela não adiantou pormenores face às três manifestações de interesse na empresa de confecções de Alcains. “Já era público o interesse, mas continuamos sem saber quem são. Aliás, parece que já há mais dois interessados na Dielmar”, sublinha. Para já, a sindicalista disse que estão a ser dados “pequenos passos”. “O importante está salvaguardado e vamos trabalhar no futuro”, conclui.

Os trabalhadores da empresa de confeções Dielmar manifestaram no passado dia 8, a intenção de continuar a trabalhar a partir de ontem, quarta-feira, 18, mas deixaram claro que, para isso, precisam de condições, nomeadamente, matéria-prima para as encomendas que ficaram na linha. No mesmo dia, o presidente da Câmara de Castelo Branco afirmou que existiam três contactos portugueses que manifestaram o seu interesse na empresa de confeções Dielmar, afirmando que já tinha partilhado essa informação com o Governo e o administrador da insolvência.

Fundada em 1965, em Alcains, concelho de Castelo Branco, por quatro alfaiates que uniram os seus conhecimentos, a Dielmar, que empregava actualmente mais de 300 trabalhadores, pediu a insolvência ao fim de 56 anos de actividade, uma decisão que a administração atribuiu aos efeitos da pandemia de covid-19.

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