Mineiros da Panasqueira anunciam greve por aumentos salariais

Sindicato afirma que empresa apenas admite aumentos de 0,5 por cento. Cerca de 11 cêntimos por dia. Beralt Tin diz que proposta feita pelas estruturas sindicais, de 6,05 por cento, é “irrealista e insultuosa”
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Os mineiros da Panasqueira vão fazer greve de duas horas por dia, a partir da próxima segunda-feira, 26 de Abril, e até 8 de Maio, para reivindicarem aumentos salariais, embora a empresa garanta que não pode ir além de 0,5 por cento.

Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM) acusa a Beralt Tin and Wolfram Portugal (empresa que detém a exploração das minas e que é propriedade do grupo canadiano Almonty) de apresentar respostas “absolutamente vergonhosa” às propostas dos trabalhadores. “O que a empresa propõe é 0,5 por cento para actualização salarial, o que representa para os salários mais baixos cerca de 11 cêntimos por dia, o que não dá para comprar uma carcaça”, é referido.

Esta estrutura sindical afecta à CGTP diz ainda que “nos últimos sete anos, os trabalhadores já perderam cerca de 100 euros, face à evolução do salário mínimo nacional”, e reitera que a empresa “tem claramente condições” para satisfazer as reivindicações dos funcionários, até porque se prepara para fazer investimentos noutras regiões. Aprovada em plenário, a greve também abrange “todo e qualquer trabalho suplementar” durante o mesmo período.

O administrador da Beralt Tin and Wolfram Portugal, Corrêa de Sá, reafirma que a empresa não tem condições “de mercado actual ou mesmo futuro para fazer face a aumentos superiores a 0,5 por cento”. E classifica de “inaceitável, irrealista e até insultuosa” a proposta apresentada pelo Sindicato Mineiro para um aumento salarial base de 6,05 por cento. Corrêa de Sá lembra que, para além de um aumento de 0,5 por cento no ordenado base, está também previsto um acréscimo em subsídio de turno, um aumento de anuidades e um aumento no subsídio de alimentação para os trabalhadores do Interior.

Lamentando que o sindicato não tenha referido a proposta toda, Corrêa de Sá explica que a exigência inicial do sindicato passava por um aumento salarial 90 euros mensais (10,89 por cento) no ordenado base de todos os trabalhadores e que, entretanto a reivindicação foi fixada em 50 euros (6,05 por cento). Para aquele responsável, ainda que mais baixo do que o pedido inicial, o valor que está a ser exigido pelo STIM é “completamente inaceitável, irrealista e até insultuoso, considerando a situação pandémica do País com os seus terríveis efeitos em tantos e tantos trabalhadores”.

Além disso, o administrador da BTW alerta que a empresa não tem condições para fazer face a esses valores, posição que já transmitiu aos trabalhadores através de uma comunicação interna. No documento, que a empresa também enviou à Lusa, sublinha-se que, “por força da pandemia, o mercado do volfrâmio está fortemente deprimido” e que, no último ano, a empresa teve um prejuízo de 3,3 milhões de euros e que este ano as perdas já vão em 1,1 milhões.

A BTW admite que está “com dificuldade em cumprir os seus compromissos” e destaca que está “a fazer um grande esforço para garantir os salários”. Faz ainda uma comparação com as propostas de aumentos noutras empresas para destacar que há casos sem qualquer proposta de aumento e outros com proposta de zero. A nota também garante que, nos “últimos 11 anos”, o aumento do vencimento base na BTW foi de 24,97 por cento, “mais do dobro da inflação registada nesse período”, e “sem contar” com os aumentos de diferentes subsídios.

As Minas da Panasqueira são a única exploração de extração de volfrâmio a laborar em Portugal e empregam trabalhadores essencialmente oriundos dos concelhos da Covilhã e Fundão.

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