Mudar: é preciso querer

Pergunto: quantas pessoas nas manifestações tão propícias para a disseminação do vírus podem mesmo atirar pedras aos racistas que perseguem
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Assunção Vaz Patto

Nunca, como neste período, nos apercebemos como cada um de nós conta perante um vírus que ninguém percebe ainda muito bem e no meio de um clima de medo que não conseguimos levantar (sob o risco de acontecer no resto do País o que está a acontecer em Lisboa). Lisboa, a pérola do império, uma cidade diferente, culturalmente “iluminada”. E infectada. Era interessante avaliar quem se infectou, porque se infectou – e decidirem de uma vez se têm mais casos porque fizeram mais testes ou se têm simplesmente mais casos porque têm mais casos. Quando tivemos menos casos foi por termos menos testes? Será que não testámos assim tanto quanto os telejornais dizem? A dúvida fica.

E se considerarmos que se mudou de política e que só se fazem testes a quem tem sintomas (antes era aos contactos), os números são cada vez mais infelizes…Onde está a verdade? A verdade da Esquerda não é a verdade objectiva, mas sim a verdade que a Esquerda quer. E estamos mergulhados no mundo de Orwell, do “Triunfo dos Porcos”, em que há uns que são mais iguais, mais verdadeiros, mais fantásticos e mais certos do que todos os outros…

 

E sim, cada um de nós conta. É por isso que os idosos se mantêm fechados nos lares- alguns dos quais continuam altamente restritivos nas visitas, por causa do vírus e para ficarem bem na fotografia. E por isso que não há espectáculos – excepto no Campo Pequeno com o presidente Marcelo, mas não tauromáquicos- o PAN não gosta… É por isso que há manifestações do 1º de maio, mas não houve Fátima. E não há jogos de futebol nem concertos, mas há a Festa do Avante. A incongruência e as indicações avulsas que estamos a ter dão uma sensação de desgoverno, de falta de lei e ordem, de confusão que só pode resultar no que está: aumento de números de infectados, aumento de doentes internados e um Serviço Nacional de Saúde que só se aguentou porque os profissionais que lá trabalham deram o corpo às balas- e ainda dão…- e porque a maioria dos portugueses tem a noção das imensas dificuldades em que o sistema de saúde está – e ficou em casa. Honra aos portugueses nisso. Pena não terem explicado aos mais novos que a infecção também os apanha e que o grande número de infectados em Espanha resultou da manif de 8 de Março- no Dia da Mulher- e de um jogo de futebol. Vamos ver o que acontece 15 dias depois da Festa

 

Todas as vidas contam. A morte brutal de um negro à mão de polÍcias brancos levanta o problema do racismo e da maneira como vemos, cada um de nós, outras raças. Vivi isso ao vivo numas férias na Africa do Sul depois da revolução do arco-íris que me deixaram com a noção clara do que é ser discriminada por ser branca. Ou por ser católica. Ou por ser conservadora e de direita. Os racismos são muitos e variados, não distinguem apenas a cor da pele e pergunto-me quantas pessoas nas manifestações tão propícias para a disseminação do vírus podem mesmo atirar pedras aos racistas que perseguem.

Como alguém dizia: “-as raças não contam, o que conta é a decência das pessoas. E há gente de bem – e gente que é corrupta, desonesta, má e incapaz”. Destes, muitos andam a tomar decisões neste País, infelizmente.

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