É uma nova medida que foi aprovada por unanimidade pelo executivo belmontense na reunião ordinária da passada sexta-feira, 27. Os munícipes daquele concelho vão poder passar a ser operados, brevemente, de forma gratuita às cataratas, uma doença ocular, depois do executivo ter aprovado uma proposta de protocolo com a Fundação Álvaro Carvalho, em Lisboa, especializada no tratamento desta doença.
Com este acordo, segundo o presidente da autarquia, António Luís Beites, quem sofrer deste problema será encaminhado para operação por parte do centro de saúde local, que fará a triagem das necessidades. O autarca, que em Penamacor tinha um protocolo semelhante, lembra que a operação será “gratuita para o munícipe” e paga, em partes iguais, pelo município e Fundação. “É pago a meias. Será articulado com o centro de saúde que fará a triagem dos utentes. Há muitos a aguardarem operações do Serviço Nacional de Saúde (SNS)” salienta o autarca. Beites garante que a medida é para avançar “o mais rapidamente possível” e que este protocolo contempla a cirurgia, o transporte para a mesma e regresso a casa, e ainda uma consulta pós-operatório. António Luís Beites explicou que cada cirurgia custa “1100 euros a dividir por dois”, não havendo assim um valor global anual, mas sim “individualizado, em função do número de intervenções”.
A Fundação Álvaro Carvalho foi fundada pelo médico que tem esse nome, natural de Figueira de Castelo Rodrigo (Guarda), em 2014, e tem apostado, desde 2018, num programa intitulado “Dar visão ao Interior” em que, em parceria com as autarquias, opera doentes oculares às cataratas visando “suprir carências assistenciais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na especialidade de oftalmologia, reduzindo significativamente o tempo de espera para a primeira consulta”. Desde então assinou protocolos com diversas câmaras da Beira Interior, sendo, neste momento, mais de uma dezena. Na região, concelhos como Penamacor, Idanha-a-Nova, Guarda, Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Mêda, Pinhel, Proença-a-Nova, Sabugal e Sertã, já têm este acordo há alguns anos. Até 10 de março deste ano, já tinham sido operados, em 12 concelhos e uma freguesia, 1290 pessoas.
O vereador da oposição PS, Paulo Borralhinho, votou a favor por estar disse estar “plenamente de acordo” com este protocolo, mas lembrou que, mais uma vez, é “o poder local a substituir-se ao Governo” na saúde. O socialista perguntou ainda a Beites se ainda está em vigor um protocolo do anterior executivo que permitiu ter médico em Caria, com o autarca a dizer que há um médico a prestar serviço na vila, e que o prolongamento desse acordo terá que ser levado à próxima Assembleia Municipal, uma vez que os centros de saúde do concelho são “competência do SNS”. Porém, António Luís Beites garante que “o intuito do município é reforçar a presença de médicos no concelho” e que já existem contactos com a Unidade Local de Saúde (ULS) da Cova da Beira nesse sentido.
