Nada como ver com os próprios olhos

No Notícias da Covilhã, como desde há mais de 100 anos, procuramos estar perto dos factos
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No passado domingo, 16, celebrou-se na Igreja o Dia Mundial das Comunicações Sociais. O Papa Francisco, que todos os anos emite uma mensagem para este dia, escolheu uma frase bíblica, retirada do evangelho de S. João, em que Jesus Cristo lança um desafio aos seus primeiros discípulos: “Vem e verás!”.

Realmente o facto, o acontecimento e o motivo de um texto jornalístico só pode ser verdadeiro e realmente executado quando o que o escreve e transmite a informação esteve perto dela, a conheceu em verdade e se fez valer de fontes fidedignas e verdadeiras. E o NOTÍCIAS DA COVILHÃ procura cumprir este jornalismo desde há 102 anos, com este título que sucedeu ao extinto “A Democarcia”, fundado em 1913.

Este é o jornalismo que nos é pedido: o de estar perto e presente na vida da comunidade. O nosso trabalho é o de ir em busca das histórias com gente dentro, de lutarmos com resiliência contra todas as dificuldades e obstáculos que vão surgindo, e muitos foram ao longo destes 102 anos de história.

Mas a prova da nossa longevidade certifica que não nos limitamos a ouvir o que nos chega de fora, que não nos acomodamos a esse grande noticiário das redes sociais, onde todos, mais do que transmitir uma informação límpida, isenta e verdadeira, procuram ser criadores de opinião pública a partir dos acontecimentos.

Isso não é jornalismo. A missão do jornalismo é informar! Não cabe na entrevista, na reportagem ou nas nossas pequenas “breves” a opinião pessoal, a publicidade gratuita, o lisonjeio ou a bajulação. No Notícias da Covilhã, como desde há mais de 100 anos, procuramos estar perto dos factos, ir e ver, para os transmitir com a fidelidade e credibilidade que o leitor merece.

Na verdade, o problema das “fake-news” são um dos maiores atentados contra o jornalismo. A comunicação faz-se não apenas pelas notas de imprensa ou “breefings” enviados pelos gabinetes. A comunicação nasce das palavras, mas também dos olhos, do tom da voz, dos gestos. E como o refere o Papa Francisco o referiu na mensagem “Vem e verás”: “A palavra só é eficaz, se se «vê», se te envolve numa experiência, num diálogo. Por esta razão, o «vem e verás» era e continua a ser essencial.

Este jornalismo de proximidade, tão colocado em causa por causa das questões pandémicas, será sempre o nosso compromisso e a razão da nossa existência. O encontro com as pessoas, de coração a coração, numa perfeita relação com a verdade que só pode nascer da proximidade. E para os próximos anos mantém-se o desafio que nos espera: o de comunicar, encontrando as pessoas onde estão e como são.

O primeiro compromisso do NC é o de fazer com que esta informação chegue a todos da forma mais isenta e livre, sem o perigo das influências ou intromissões que condicionam a verdade. O segundo é o de tudo tentarmos fazer para que o nosso/ vosso Jornal se mantenha vivo e capaz de vos levar a informação desta nossa região, não nos cansando em buscar soluções de sustentabilidade para este sector que vive tantos flagelos económicos.

Não poderia deixar de, nesta hora renovar aquele agradecimento a todos os que nos acompanharam e acompanham ao longo dos 102 anos do nosso trabalho, os antigos diretores e administradores, aos colaboradores e jornalistas, aos leitores, que aparecendo em último são sem dúvida os primeiros a merecer a nossa gratidão: para eles e por eles trabalhamos e assumimos o compromisso de manter vivo o Semanário Regional, de inspiração cristã, mais antigo do distrito de Castelo Branco.

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