“Não vim para aqui para me vender”

André Reis, 33 anos, é o candidato do PSD à Câmara de Belmonte. Assume que muitos o desconhecem, mas acredita que isso possa ser uma mais-valia de uma candidatura “sem vícios” do passado. Sanear as contas da autarquia e combater desertificação são as prioridades
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Porquê uma candidatura a Belmonte?

Por um razão simples e explicável. A minha futura esposa (vamos casar a 9 de Outubro) tem raízes familiares nas Inguias. Nós, já com alguma frequência, vínhamos cá aos fins-de-semana ou período de férias, e com esta situação da pandemia, verificámos que o trabalho que fazíamos em Lisboa também o podíamos fazer cá, embora às vezes com alguns problemas de conectividade. No início do ano tomámos a decisão de organizarmos as nossas coisas e deixar Lisboa, vindo morar para cá. Pode parecer um contrassenso, mas o barulho e stresse, e toda aquela agitação, já não nos diz muito. Somos pessoas recatadas e habituadas a estar em casa. Decidimos vir, comentei essa decisão com um grande amigo meu, o Luís Santos, presidente da distrital do PSD, sem qualquer segunda intenção, e nesse primeiro contacto ele logo me falou das autárquicas. Que estando eu em Belmonte, gostava de me ver envolvido. Disse que sim, se achassem que podia ser uma mais-valia, mas nunca me passou pela cabeça que fosse enquanto cabeça de lista à Câmara. O mundo dá muitas voltas e certo dia o Luís disse me que me queria como candidato à Câmara. Respondi que tudo bem, mas que as pessoas cá não me conhecem.

E isso é mau, ou por outro lado, será uma mais-valia?

Neste momento, da maneira como as coisas estão, acredito piamente que seja uma mais-valia. Porque a experiência dos últimos anos, do que tem vindo a suceder com eleitos do PSD, que passado dois ou três meses passam para o lado de lá, acho que não estar inserido neste meio, não ter vícios e não ter interesses económicos aqui pode ajudar. Se Belmonte não precisar do André Reis como presidente, precisa pelo menos de uma oposição forte e firme, que não permita muitas das coisas que aconteceram no último mandato.

Ou seja, não há oposição na Câmara…

Não existe, é um facto.

Se não forem eleitos, garantem sê-lo?

Garantidamente. Não vim para aqui para me vender. Não compactuo com uma pessoa que tem este modus operandi, que é de calar, silenciar e intimidar. É tudo o que tem vindo a ser feito. Já tivemos membros da candidatura a serem pressionados a desistirem, e algumas situações que nem sequer divulgámos.

“O medo de se perder o dito tacho está a ser muito grande”

Porque acontecerá isso?

Começo a achar que o medo de se perder o dito tacho está a ser muito grande. E não estou a falar dos trabalhadores da Câmara, esses têm contrato. Não considero isso um tacho. Um tacho são os ajustes directos inexplicáveis, para pessoas que convenientemente estão nas listas do PS ou dirigem ataques pessoais às pessoas da nossa candidatura. A mim, em particular. Isso é que são os tais tachos, de 19, 60, 70 mil euros. Essas pessoas é que têm medo de perder aquilo que têm. Todos sabemos que a situação financeira da Câmara é desastrosa.

(Entrevista completa na edição papel)