Negociação do Colégio das Freiras “acabou”

Eugénia Melo e Castro, da família proprietária do edifício, adianta ao NC que a Câmara não aceitou as condições propostas, e que já estava avisada, há um ano, que valor da renda iria dobrar. Negociações estão encerradas, garante

“Acabou”. É assim que Eugénia Melo e Castro, uma das 12 proprietárias do edifício do Colégio das Freiras, dá por encerradas quaisquer negociações com a Câmara da Covilhã para uma eventual renovação do contrato de arrendamento do edifício, por mais um ano, de modo a que no próximo ano letivo aquela resposta social de jardim-de-infância e pré-escolar continue a funcionar.

“Tivemos uma reunião no próprio edifício, no dia 6. Estávamos na Covilhã, eu e alguns dos outros proprietários, que alguns são de cá, outros não, com a vereadora Regina Gouveia e com a própria Comissão de Pais. O assunto, para nós, foi surpresa, pois o contrato não previa renovação automática para lá de agosto, e há um ano atrás deixámos de forma clara quais seriam as condições para uma eventual renovação. Uma renda que seria o dobro da atual. A Câmara sabia e estava avisada”, assegura Eugénio Melo e Castro, contactada pelo NC.

A cantora e compositora covilhanense lembra que há um ano atrás havia confiança total da autarquia de que o Bolinha de Neve, no próximo ano letivo, estaria pronto, algo que acabou por não acontecer. “Há um ano atrás ficou acertada uma renda mensal de cinco mil euros. Nós pedimos muito mais, mas acertou-se. E ficou determinado que, a haver nova negociação, seria o dobro, 10 mil euros. Estavam totalmente avisados”, afiança.

Eugénia Melo e Castro recusa a ideia de má vontade da família, pois lembra que as irmãs Doroteias ocuparam o edifício, de forma totalmente gratuita, durante mais de 90 anos, e apenas nos últimos pagavam uma renda simbólica de 15 euros, desde que passaram a ser uma Fundação. “Era uma coisa muito antiga, desde 1932. Dos meus avós, que em tempos de guerra, as deixaram ficar, de forma gratuita. E elas foram ficando, mesmo que, antes de ser considerado um imóvel de interesse público, o proprietário até pagasse IMI”, conta ao NC.

A cantora covilhanense recorda ainda que, a meio do ano, veio à Covilhã tratar de assuntos pessoais e ao ver que o Bolinha de Neve estava “parado”, contactou a vereadora com a pasta da educação na Câmara da Covilhã. “Liguei à senhora vereadora. Este recordou que o edifício não era responsabilidade direta da autarquia, mas avisei que o que tinha ficado acertado, e escrito, é que, a manterem o Colégio, a renda seria o dobro. Era esta a proposta, desde o início. Recebemos comunicação de que não aceitavam. Fizemos o que podíamos. A negociação acabou”, garante. Eugénia Melo e Castro lamenta que, ao longo dos anos, o Governo não tenha criado uma resposta pública para as crianças, como era da sua responsabilidade. “Tinha esse dever e obrigação. A Covilhã precisa de um infantário. Mas ao longo dos anos, foram-se encostando a nós”, frisa.

Sobre o futuro do imóvel, garante, não há ainda decisões. “Iremos reunir para ver o que fazer assim que nos seja entregue, após agosto”, salienta.

Recorde-se que, a 6 de março, após a reunião privada do executivo covilhanense, o presidente da autarquia, Hélio Fazendeiro admitiu que o Colégio se poderia manter em funcionamento para lá de agosto. O autarca dizia estarem a decorrer negociações com os proprietários nesse sentido, por se saber que o Bolinha de Neve não estaria pronto a funcionar no início do próximo ano letivo. Hélio Fazendeiro, contudo, recordava que o edifício do Bolinha de Neve não é, “nem depende da responsabilidade direta” da autarquia, e perante a certeza de que não estará pronto em setembro, “é preciso garantir a resposta do Colégio das Freiras, seja naquele espaço ou noutro”. Um mês antes, o autarca fora confrontado por declarações do vereador da coligação Mais Covilhã (CDS-PP/IL), Eduardo Cavaco, que pedira explicações sobre um eventual prolongamento do arrendamento do Colégio das Feiras, com “a Câmara a suportar uma renda que vai duplicar”. Fazendeiro disse não fazer “ideia de onde é que uma informação dessas veio”, lembrando que o tema era demasiado “importante para se fazer combate político.”

O NC tentou o contacto com o autarca covilhanense, que garantiu que se está a trabalhar numa alternativa. Já a vereadora com a pasta da educação, Regina Gouveia, contactada pelo NC, assegura que a autarquia estava avisada para este possível desfecho, e que “nunca deixou de trabalhar” quer nesta hipótese, quer em alternativas. “Tem sido um processo muito difícil de gerir, mas temos feito o nosso trabalho. Com as irmãs do Dominguiso, com a Segurança Social e os pais. Estávamos a contar com isto, que eles (proprietários) tinham avisado. Mas temos alternativas que salvaguardam o melhor para estas crianças, que é o que interessa”, assegura a autarca.

Recorde-se que o Colégio das Freiras esteve para fechar no verão passado, mas acabou por se manter mais um ano, com a Câmara a assumir a renda, e as irmãs do Dominguiso, a gestão.

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