O dia da Casa Comum

É de vital importância escutar os povos indígenas e todas as comunidades que vivem na Amazónia
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Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre a preocupação para com o ambiente e as questões climáticas. As diversas cimeiras, o famoso e controverso acordo de Paris, a foto do buraco e tantas outras manifestações da “mãe natureza” vão chamando à razão os filhos que a pisam e consomem.

Também o Papa Francisco, comprometido com as grandes causas deste século, em 2015 ofereceu à Igreja e a todos os homens de boa vontade, um precioso documento sobre o tema. Com a sua primeira encíclica, Francisco, atento à realidade que envolve o planeta, deu um grande passo na defesa e preocupação para uma «solidariedade universal» a fim de «unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral».

No ano seguinte o Papa determina que o dia 1 de setembro seja sempre o dia de oração pela “casa comum”, como ele passa a designar o mundo que habitamos. E com este gesto mais uma vez manifesta um evoluir da doutrina social da igreja, envolvida com o mundo a quem deve servir. Por isso, domingo é dia da “casa comum” e há que marcar a efeméride.

Não por um capricho ou “mais um dia de qualquer coisa”, mas sim com um manifesto de quem vive esta solidariedade e empenho na defesa deste planeta, a saturar-se dos nossos caprichos económicos e financeiros, encobrindo interesses pessoais e particulares.

A poucos dias desta celebração universal, eis que a Amazónia é fustigada pelas chamas, inusitadas e incontroláveis, que dão provas da preocupação urgente que o nosso mundo merece.

O presidente da nação brasileira, num discurso de cinco minutos vem justificar-se para o mundo que respira do ar que o pulmão da humanidade oferece, dizendo que os “incêndios florestais existem em todo mundo e isto não pode servir de pretexto para sanções internacionais.” Manifestamente a sua preocupação é particular, parece que, ao defender os interesses do Brasil, o resto do mundo pode sofrer da asfixia que o mata… desde que o Brasil se safe.

Este é o cenário: as nações, dotadas de grandes riquezas e patrimónios naturais que se preocupam tanto mais como o seu desenvolvimento tecnológico, financeiro e material, do que com os seus mais preciosos bens, eternos ou intemporais até que os homens os deixem assim ser.

Não satisfeito e manifestamente inquieto com toda esta realidade, o Papa Francisco, numa atitude inédita, convocou para este outubro, de 6 a 27, a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos da Região Pan-amazónica, para refletir sobre o tema “Amazónia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

A Amazónia constitui, por si só, uma região de grande riqueza e biodiversidade, é multiétnica, pluricultural e plurirreligiosa, um espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja.

 As reflexões do Sínodo Especial superam o âmbito estritamente eclesial amazónico, por serem relevantes para a Igreja universal e para o futuro de todo o planeta. O tomar por base um território específico tem como objetivo o fazer uma ponte para outros territórios essenciais para a nossa humanidade.

Aqui se revela uma Igreja universal, atenta e aberta a todos, mostrando como é de vital importância escutar os povos indígenas e todas as comunidades que vivem na Amazónia, a fim de ajudar a construir um “futuro tranquilo” e um “bem viver” para as futuras gerações.

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