O Homem do Presépio

Sobressaem por aí muitos “Josés”. Pessoas boas, simples e generosas
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Por afectividade ou outra razão tradicional, desde cedo se criou na ternura com que os cristãos observam o presépio uma especial afeição pela figura de Maria e do Menino. Parece quase óbvio que assim seja.

Mas, este ano, já que o Natal vai ser diferente, e por desafio do Papa Francisco, que no dia 8 de Dezembro declarou o Ano de S. José, somos como que “obrigados” a colocar o nosso olhar no homem do presépio.

De facto, como o próprio Papa o escreveu “a importância das pessoas comuns, aquelas que, distantes dos holofotes, exercitam todos os dias paciência e infundem esperança, semeando corresponsabilidade” são um sinónimo da vida deste homem.

Justamente como São José, “o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida”, estão hoje tantos homens e mulheres a servir e a cuidar de um mundo que tem de viver um Natal diferente. Nunca ouvimos falar tanto destas pessoas como agora e nunca lhes demos o valor merecido.

O Papa lembra-nos esta necessidade de valorizar os humildes e os esquecidos, que não são apenas os pobres de quem tanto se ouve falar nestes dias, mas tantos homens e mulheres que deixam um contributo válido e precioso a esta sociedade e a este tempo.

Neste Natal, olhar para o homem do presépio é ver um “pai no acolhimento”, porque “acolhe Maria sem colocar condições prévias”, e ensina-nos o que é uma relação saudável, longe dos relatos de violência doméstica que continuam a ser notícia diária e semanalmente.

O homem do presépio é também aquele que acolhe na sua vida os acontecimentos que não compreende com um protagonismo “corajoso e forte”, que deriva da fé. Talvez por isso, a nossa vulnerabilidade seja cada vez mais visível, porque nos falta este crer convicto de que neste “silêncio de Deus” há algo que Ele continua a dizer e nós teimamos em não escutar.

São os “problemas concretos” da sua família, exatamente como fazem as outras famílias do mundo, em especial aquelas que estão em maiores dificuldades, que mostram que o homem do presépio sempre lutou e trabalhou pelo seu lar. Ensina-nos a convicção de que as barreiras que o caminho nos coloca à frente podem ser superadas e ultrapassadas.

Protetor de Jesus e de Maria, o homem do presépio ensina-nos, neste tempo concreto a cuidar e a guardarmo-nos uns aos outros, mesmo que isso exija todos e tantos sacrifícios que desde Março tomaram conta das nossas novas rotinas e hábitos sociais.

Mas, a tristeza de uma economia que não pôde aproveitar este tempo para a sua retoma, e a impossibilidade de materializar o afecto em presentes e férias, parecem ser maiores do que o homem do presépio.

No entanto, sobressaem por aí muitos “Josés” que fazem o “presépio vivo”. Homens e mulheres, movimentos e instituições que aprendem com este exemplo de discrição e silêncio a cuidar da vida do outro, a assumir como sua a missão de guardar e dar segurança, paz e conforto, mesmo que seja apenas por um gesto ou uma presença.

E é aí que o Natal se faz verdadeiro e o presépio nos faz reconhecer, mais um ano, o valor das pessoas boas, simples e generosas.

É com o desejo de que o Natal dos nossos leitores seja muito feliz e abençoado que me dirijo a cada um, a cada colaborador e assinante, a cada funcionário e amigo do Notícias da Covilhã, na esperança de que sejamos todos “homens do presépio”.

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