O lento despertar do turismo em Belmonte

Durante meses, os museus estiveram fechados. Não houve turistas nas ruas, quando num ano “normal” seriam mais de 100 mil. Hoje, já se começam a ver, esporadicamente, alguns forasteiros. Comércio local não se lembra de dias tão difíceis por aquelas bandas
0
374

Quando, a meio de um dia de semana, um casal de turistas, com um bebé de colo, entra pela porta da loja Cabralina, Ana Nave, que está atrás do balcão da antiga tasca que fica ali a caminho do castelo da vila, logo de lá sai para perguntar se os visitantes estão ali a passar uns dias, o que já viram, ou não, e apresentar alguns dos produtos que ali existem. No final, ficam sete euros em caixa, depois de lhes conseguir vender um saco de sementes e cerveja artesanal. “Por esta altura, em Abril, já era a ‘bombar’. Havia imensa gente. Agora, pouquíssima. Mas já vão entrando algumas pessoas” frisa Ana Nave, que trabalha nesta loja.

Têm sido assim os dias de retoma turística em Belmonte, onde, nos últimos anos, as visitas aos museus e locais mais emblemáticos da vila superavam as 100 mil pessoas. Mas a pandemia, quer em 2020, quer em 2021, veio alterar esta realidade. E se, ao longo dos últimos anos, os locais se habituaram a ver muita gente forasteira na rua, diversos autocarros a chegarem, nos últimos tempos, devido à covid-19, as coisas não têm sido assim. Mas, aos poucos, Ana acredita que as coisas se vão compor. “Nós já tivemos um grupo de pessoas, de França, que vieram ver as famílias e que alugaram casas. Ultimamente, de vez em quando, já temos uma ou outra pessoa que aqui entra, curiosamente, sempre ao fim da tarde. Já se vai vendo gente, mas nada do que era costume nesta altura” frisa a funcionária da Cabralina, uma loja onde se vendem compotas, licores, cervejas artesanais, peças de artesanato, entre outros artigos.

Metade dos turistas em 2020

Em Belmonte, em 2019, as visitas aos diversos espaços museológicos do concelho tinham atingido o histórico número de 136 mil. Mas em Março de 2020 chegou a pandemia provocada pela covid-19 e os números baixaram para mais de metade, 66 mil. O que até nem foi considerado mau face às circunstâncias, depois de uns meses de Verão que foram bons em termos turísticos. “Confesso que nem esperava tantos este ano, cerca de metade. É porque ainda houve alguma recuperação nos meses de Verão” explicava ao NC o presidente da Câmara, António Dias Rocha, que acreditava que 2021 poderia ser, em termos turísticos, “bem diferente”. “Acredito que virá um ano de retoma para os portugueses, que estão fartos de estar confinados. Não será uma retoma total, mas será de retoma para o turismo nacional e internacional” acreditava. Mas vieram uma segunda e terceira vaga da covid-19, e os diversos museus da vila, bem como comércio mais tradicional, tiveram que fechar portas. Durante cerca de dois meses. “Se não vier um Verão como o do ano passado, não sei o que vai ser de nós” vaticina Anabela Azevedo, proprietária da loja “A Prensa”, que além de artigos de decoração e têxtil, vende diversos “souvenirs” sobre a terra de Cabral.

(Reportagem completa na edição papel)

Comments are closed.