O que vimos e ouvimos

A urgência e o dever de ajudar o próximo
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Comemora-se no próximo domingo, 17, o Dia Mundial das Missões, data criada em 1926 pelo Papa Pio XI, e que é celebrado anualmente em todos os países onde há católicos comprometidos com a construção de um mundo mais justo, digno e gratificante, onde todos têm aquilo que precisam para viver.

Com este dia de oração e de evangelização dos povos deseja-se incentivar a cooperação missionária pelo mundo e agradecer o contributo dos missionários na construção de um mundo melhor.

É o dia do ano em que se reflete sobre a urgência e o dever de ajudar o próximo. A cooperação missionária pode ser realizada pela oração, sacrifício e testemunho de vida, por meio da ajuda material aos projetos missionários, ou colocando-se à disposição para servir em missões.

Mas mais do que aquilo a que nos habituámos, até há bem pouco tempo, o Dia das Missões já não se vira apenas para o exterior, para a designada “missão ad gentes”, que fazia partir da Europa, e concretamente de Portugal, tantos homens e mulheres que rumavam aos continentes asiático ou africano, ou ao sul da América, para dar a conhecer a mensagem cristã e lutar pela dignidade dos povos.

Talvez hoje, mais que nunca, seja a Europa, e nela Portugal, a precisar de beber do exemplo de tantas Igrejas novas, nascidas nas periferias do continente central, e que testemunham verdadeiramente o que é seguir a mensagem evangélica deixada por Jesus Cristo.

Para este ano, o Papa Francisco propôs para esta Jornada, que acontece anualmente entre a segunda e a terceira semana de Outubro, o lema «Não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos», retirado do Livro dos Actos dos Apóstolos.

Mais do que uma frase bíblica ela identifica a nossa essência cristã, que não se pode silenciar, mesmo contra a cultura premente, que busca tantas vezes o interesse individual esquecendo a dimensão comunitária a que somos vocacionados.

O testemunho real e concreto das palavras transformadas em actos é a maior afirmação que podemos dar, neste espírito Missionário que nos envolve. Se apenas nos dedicarmos a falar, a pregar e anunciar um Deus misericordioso e justo, mas nada fizermos para que reinem entre nós a justiça e a prática do bem comum, a mensagem cristã fica oca e esvazia-se pela falta de coerência.

E é por isso, que na mensagem que escreve para este dia, o Papa se refere ao momento presente como um momento de especial tempo de testemunhar o que nos ficou da mensagem cristã: “A situação da pandemia evidenciou e aumentou o sofrimento, a solidão, a pobreza e as injustiças de que já tantos padeciam, e desmascarou as nossas falsas seguranças e as fragmentações e polarizações que nos dilaceram silenciosamente. Os mais frágeis e vulneráveis sentiram ainda mais a sua vulnerabilidade e fragilidade. Experimentamos o desânimo, a deceção, o cansaço; e até a amargura conformista, que tira a esperança, se apoderou do nosso olhar.”

É por isso que o que vimos e ouvimos dos nosso passado eclesial, a força e a essência das palavras de Jesus, são e têm de ser o nosso contínuo agir, porque como o próprio Francisco evidência, o lema para esta Jornada “é um convite dirigido a cada um de nós para cuidar e dar a conhecer aquilo que tem no coração”. Não descuremos o nosso testemunho e mostremos que no meio da instabilidade que nos cerca, temos a capacidade de cuidar e estar atentos, até como compromisso social, a quem vai connosco, na mesma barca.