O tempo de tantos que chegam

A Covilhã é também hoje um “porto” para muitos desses homens e mulheres
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Cada vez mais termos como migrantes e migrações são um vocabulário escutado nos nossos meios e nas nossas realidades. O assunto, ordem do dia da política mundial, tem desenvolvido diversas opiniões, umas mais controversas, outras de acolhimento e empatia para com esta realidade.

A fuga de tantos homens e mulheres que têm buscado oportunidades de dignidade fora dos seus países natais é justificada por isso mesmo: a busca de dignidade, mesmo que muitas desconfianças surjam em relação a este motivo.

O nosso país é do conjunto dos países europeu onde a abertura à entrada de imigrantes de etnia diferente da maioria da população cresceu mais, nos últimos anos. Isto porque a opinião favorável à entrada de migrantes cresceu, apoiada numa política de acolhimento, discutível se bem ou mal concebida.

Poderá estar na base deste dado o nosso “ser português” que passou para além do Bojador, que passou as fronteiras de assalto para a França da década de 60 e que continua numa “mão de obra especializada” a buscar oportunidades nos países que oferecem melhores condições e reconhecimento a quem trabalhou por uma formação superior.

Mas não é desses migrantes que hoje mais falamos. Falamos sim de tantos homens, mulheres, jovens e crianças que por diversas razões abandonam climas de guerra, sociedades que não respeitam ou acolhem a diferença e se pautuam por muitos “ismos”, que caracterizam os extremos das crenças ou das normas sociais e morais.

A Covilhã é também hoje um “porto” para muitos desses homens e mulheres, que só ou em família vão chegando a um lugar que esperam ser seu. Instituições como as nossas Escolas e a Universidade têm vindo a acolher e transmitir saber a muitas crianças e jovens em processo de formação. Mas a questão mais difícil é mesmo o do estabelecimento e integração das famílias. Realidades como o emprego e as condições essenciais para a autonomia continuam a ser preocupação de muitas das instituições de cariz social do Concelho.

A semana que passou contou com a inauguração do Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes da Covilhã (CLAIM), da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã, que desde há bastante tempo tem vindo a desenvolver este acolhimento à pessoa migrante.

Em estreita colaboração com a União das Misericórdias Portuguesas, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e Alto Comissariado para as Migrações, também a Associação Mutualista Covilhanense desenvolve programas de acolhimento e integração para migrantes.

E isto só nos pode orgulhar! Viver numa cidade que integra, que não discrimina e que cria condições para o estabelecimento de tantos que passaram já por dramas e traumas, que marcam vidas e ajudar a superá-los, é mais um dos motivos por tanto amarmos esta Covilhã.

É claro que a questão levanta tantas outras dúvidas, anseios e receios, de quem possa ser mais céptico em relação a esta matéria. No entanto, a integração e o trabalho de envolvimento na comunidade podem ser as maiores e melhores ferramentas para que todo o processo resida num crescimento multicultural do nosso Interior desertificado.

Para além de uma população estudantil que entra pelas portas da UBI, este é o tempo de cada vez mais nos habituarmos a rotinas de acolhimento e gestos que integrem todos os homens, independentemente de raças, religiões ou sexualidades. Vivamos a empatia, acolhamos a multiculturalidade que enriquece o nosso meio.

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