As obras de requalificação da ligação da Nacional 18, entre o Ginjal e a ponte de São Sebastião, em Caria, o ramal entre o cruzamento da Estação e as Inguias, e o ramal de acesso ao Colmeal da Torre, vão ser executadas, mas “não no momento atual”. Quem o assegura é o presidente da Câmara de Belmonte, António Luís Beites, que terá acordado com a empresa responsável pela obra, que já se tinha iniciado entre o Ginjal e Belmonte, a paragem dos trabalhos. Recorde-se que esta obra se enquadra no empréstimo feito pela autarquia, na ordem dos 930 mil euros, para reabilitar diversas vias rodoviárias no concelho.
Na última Assembleia Municipal, o deputado socialista Luís António Almeida perguntou ao autarca se “a estrada do Ginjal para Caria é para avançar”. Na resposta, António Luís Beites garantiu que sim, mas não neste momento. Segundo ele, quando está prevista a passagem “de toneladas” de peso na via, devido à passagem de imensos camiões de grandes dimensões (transportes especiais), com torres eólicas, para um projeto de um parque eólico no concelho do Sabugal (a montagem do estaleiro que receberá o material vindo pela A23 está em andamento no cruzamento do Colmeal da Torre), não faz sentido colocar um tapete novo que será destruído. “Irá ocorrer, mas não no momento atual do campeonato, quando vão passar por ali toneladas e toneladas. Não faz sentido colocar agora um tapete novo” disse. O autarca afirmou que também estão a ser feitos alguns rasgos de operadoras de telecomunicações, e que antes de se colocar alcatrão, também será necessário operar ao nível das condutas de água e saneamento. “É preciso refazer isso tudo. Na água temos conduta em amianto, de há mais de 50 anos, e o saneamento, simplesmente nem existe” garante.
No anterior mandato, o executivo belmontense assegurara que as empresas que iriam usar as vias municipais, com estes camiões pesados, iriam pagar a requalificação da estrada municipal que faz a ligação entre a Grasil e o nó da A23 em Maçaínhas, após um acordo estabelecido com as mesmas. Basicamente, as empresas de componentes eólicas teriam pedido autorização ao município para a circulação desses transportes especiais nas estradas concelhias, tendo sido estabelecido um protocolo que visava não só a manutenção e reparação dos troços em que circulassem, como a requalificação de todo o troço que liga a A23 ao Ginjal, um dos que se encontra em mau estado no concelho. Além de se comprometerem a indemnizar a Câmara pelos danos causados em vias que usem, as empresas suportariam integralmente o arranjo desta via, orçado em cerca de 300 mil euros. Foi anunciado também que as empresas ligadas às eólicas iriam ainda ter que fazer um seguro, que funcionaria como espécie de caução, por danos causados, ao longo dos cerca de três meses em que andassem pelas estradas concelhias. Recorde-se que a passagem do material de grandes dimensões irá obrigar a “rasgar” ao meio as chamadas rotundas da “vaca”, e do “chupa-chupa”, à entrada e saída da variante, com o anterior executivo a garantir que após a passagem dos camiões essas rotundas voltariam a ser repostas, mas pagas integralmente pelas empresas ligadas às energias renováveis.
Na última Assembleia Municipal, António Luís Beites pôs em causa o estabelecido. “A compensação acertada foi de 44 mil euros. Não se repara esta via com essa verba” salientou o autarca.

