Ontem, hoje e amanhã

A sociedade foi-se assustando como nunca antes se vira e o estado de emergência num rápido nos caiu em cima
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Sérgio Gaspar Saraiva

Há um ano, mais ou menos por esta altura, estávamos recebendo notícias que nos alertavam para o aparecimento de um vírus que, mesmo vindo de longe, estava a propagar-se rapidamente e que deveríamos munir-nos de uma máscara para tapar boca e nariz e com redobrados cuidados na higienização das mãos. Tais informações foram-se multiplicando quase hora a hora e o dito vírus em breve nos colocou numa situação para a qual jamais estaríamos preparados. Os diferentes modelos de máscaras depressa se multiplicaram e os contactos pessoais começaram a ser evitados com cumprimentos à distância. Assim se foram perdendo eventos antes programados, celebrações religiosas, movimentos culturais e associativos com destaque para o desporto, proximidade em meios de transporte e outros mais. Infantários, jardins de infância, escolas e universidades encerraram suas portas o mesmo acontecendo com restaurantes e estabelecimentos afins.

Os alaridos de saúde num ápice se multiplicaram e as queixas aos mais variados níveis foram-se redobrando dando conta de um instável terreno social onde o medo do outro se foi agudizando numa agonia económica que parece nunca mais ter fim. A sociedade foi-se assustando como nunca antes se vira e o estado de emergência num rápido nos caiu em cima. Confinamentos, pandemia, vagas e linhas de contágio foram e são temas que tocaram os ouvidos e beliscaram as mentes de muito boa gente.

Em outros tempos se viveram momentos difíceis dos quais os mais idosos bem se lembram ainda, mas que a maior parte da população desconhece ou faz que não se lembra, quase desconhecendo a sua existência passada. Já foram vividos tempos de tuberculose, de pneumonias, de sarampo, de gripes a, b, c e outras moléstias mais. Pelo COVID 19 é que ninguém tinha passado ainda nem dele se tinha ouvido falar. Mas que ele nos começou a perturbar e continua perturbando é que jamais esqueceremos, pois estamos agora enquadrados nessa intensa realidade. E será que podemos acreditar positivamente no que estará para vir? Estaremos já em condições de confiar num futuro risonho e de imaginá-lo à nossa justa medida?

Se a pandemia nos está corrompendo as instituições, fragilizando a convivência social, destruindo a confiança alicerçada na competência e credibilidade será que estaremos em condições de programar positivamente o logo e o amanhã? Como será o futuro próximo se o presente nos parece ir fugindo do alinhamento que o caraterizava e onde estávamos habituados a viver um regular dia a dia sem medo de vagas contagiantes?

Será que uma ou várias vacinas nos irão curar todos os males e nos darão capacidades para construirmos um desejado futuro equilibrado e salutar? Os testes são, por certo, mais um salutar alerta, mas tudo irá depender de nós, do esforço comum proveniente da entrega pessoal e comunitária e da confiança nas capacidades alicerçadas na mente, no coração e nos próprios braços.

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