Os padres casados e o vinho de Caná

As respostas e as defesas, os prós e os contras serão mais que muitos
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O passado fim – de – semana ficou marcado por grandes acontecimentos, que parecendo-nos longínquos na distância geográfica, não deixam de estar em relação connosco mesmos. Refiro-me concretamente à sessão de encerramento do Sínodo da Amazónia e à tomada de posse de “novo” Governo de Portugal.

O Sínodo da Amazónia, manifesta novidade de um Papa que quer ver tratada a “mãe natureza” de forma responsável e digna, tem sido, por si só motivo de muitas reflexões e contestações. Pela primeira vez na história a Igreja reuniu-se para se debruçar sobre uma região concreta do planeta e sobre um tema que à partida parece não estar no centro da doutrina teologal que a caracteriza. Mas talvez por isso, para mostrar o que é uma “Igreja em saída”, Francisco alerta o mundo para os malefícios de que vai sendo alvo o “pulmão da humanidade”. O documento final deste Sínodo vem defender por isso que o futuro da Amazónia depende de uma verdadeira “conversão ecológica e cultural”, passando pelo combate ao “pecado ecológico”.

Mas não foi este o único motivo da discussão sinodal. Temas como o diaconado no feminino e a ordenação de padres casados ou de diáconos permanentes estiveram também no centro da reflexão, e abriu-se uma porta para um novo futuro, que dê respostas aos problemas pastorais da Amazónia e de outras regiões, onde a escassez de vocações sacerdotais comprometa a presença da Igreja.

Seria demasiado prematuro pensar que esse cenário viria a ser uma realidade na Igreja universal e muito menos na Europa. A questão é suficientemente complexa para que surgisse como resolução do imediato. Ela merece reflexão, cuidado e atenção, porque os séculos que marcam o ritmo da Igreja, no seu agir prudente e cauteloso, não se podem apagar pela força da nossa vontade.

É certo que a questão é suficientemente polémica: permitir que homens casados venham a desempenhar o ministério sacerdotal abrirá outra discussão que questionará o porquê de não poderem contrair matrimónio aqueles que já se consagraram ao ministério sacerdotal. As respostas e as defesas, os prós e os contras serão mais que muitos e os desejos desta mudança já se ouvem, sobretudo na boca dos leigos. E é por isso que esta reflexão aberta pelo Sínodo da Amazónia se faz próxima de nós.

São os ventos da mudança, desencadeados pela abertura das portas que Francisco quer para a Igreja e para o mundo. E ainda que as questões mais fraturantes continuem a merecer atenção do Papa do “fim do mundo”, parece que a forma das resolver tardará.

Por cá, o Presidente da República, alertou o novo primeiro-ministro sobre a responsabilidade de fazer com que o vinho deste governo seja tão bom ou melhor que o das primeiras núpcias do Governo de Costa com Portugal. A imagem bíblica das Bodas de Caná, que representa por si só a novidade trazida por Jesus, representada num vinho novo, abre-nos a porta à esperança de que o vinho de Caná encha os nossos copos e traga novidade, à Igreja, a Portugal.

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