“Para se fixarem, as pessoas têm que ter emprego”

Secretário de Estado da Administração Local e do Ordenamento do Território, Carlos Miguel, diz que “não há uma receita” para fixar pessoas no Interior, pelo que ter projectos que promovam o emprego é “fundamental” quer neste, quer no próximo Quadro Comunitário de Apoio
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“Não há uma receita, que a gente avie e ela vá dar resultado ao fim de algum tempo. Vamos ensaiando. Uma coisa é certa: ter uma piscina não traz pessoas, mas não quer dizer que ela não faça falta; o ter o parque verde não traz pessoas, mas não quer dizer que ele não faça falta; o ter o pavilhão desportivo, a mesma coisa. Agora uma coisa é certa: as pessoas para se fixarem têm que ter modos de vida, emprego”. É isto que considera o secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Carlos Miguel, que esta manhã visitou Belmonte ao abrigo da iniciativa “Governo Mais Próximo”, que traz à região membros do Governo, que reúne amanhã em Conselho de Ministros em Castelo Branco.

Questionado sobre o decréscimo populacional que os Censos 2021 indicam na grande maioria dos concelhos do Interior, o governante confessou não haver uma espécie de varinha de condão que possa reverter a situação, e que as pessoas procuram sobretudo sítios onde haja “sustentabilidade no emprego, possibilidade de progressão na carreira, e isso não se faz sem empresas. Criam riqueza no território e são um meio fundamental para fixar pessoas, e as que cá estão vejam um futuro, e possam cativar novas pessoas. Por isso os apoios à criação de áreas de acolhimento empresarial, como o caso de Belmonte, é algo que estará presente no Portugal 2030, embora com mais exigências na sustentabilidade. Vamos assistir no novo Quadro Comunitário de Apoio ao nascimento de uma nova geração de áreas de apoio empresarial. Soluções milagrosas não temos, mas uma coisa é certa: sem emprego as pessoas não ficam. Porque sem ele não ganham a sua vida e sustento” frisa Carlos Miguel.

O responsável governativo visitou as instalações da Wit Software, que conta já com 22 engenheiros informáticos vindos do Brasil, e respectivas famílias, num total de 40 novos residentes. “Tem gente jovem, brasileira, umas dezenas deles, já com as famílias, que se radicam aqui. Este é um bom exemplo” afirma. Para acrescentar que “tão importante quanto importar mão-de-obra, que já o fazemos, é importar famílias de mão-de-obra. Precisamos que as pessoas se radiquem cá e não que estejam cá sazonalmente a fazer um trabalho e regressem depois à sua terra, o que também é legítimo. Se ficarem, até adquirem nacionalidade. É um trabalho que Belmonte está a fazer, com resultados práticos” afirma.

“Ter projectos em carteira é determinante”

Na sala de reuniões do executivo belmontense, Carlos Miguel tomou conhecimento das candidaturas da Câmara de Belmonte ao Plano de Acção de Regeneração Urbana (PARU), nomeadamente, da Rua Pedro Álvares Cabral, dos espaços públicos do Centro Histórico de Belmonte e da nova via panorâmica a Belmonte. O secretário de Estado considera “importante” o trabalho que o município está a fazer. “Preparar os projectos para darem entrada nas novas janelas de financiamento. Ter projectos em carteira é determinante para o município” disse Carlos Miguel, que alertou para o facto de a regeneração urbana, no próximo Quadro Comunitário de Apoio, ter particularidades diferentes do actual. Já que “os valores da sustentabilidade ambiental e energética serão uma componente fundamental em cada projecto” lembra.

O governante recordou que apesar de se pensar já no Portugal 2030, “o 2020 ainda não acabou”, considerando que o projecto apresentado por Belmonte a este quadro é “fundamental”, a nova área de acolhimento empresarial a criar na zona de Maçaínhas. Uma obra que ainda aguarda visto favorável do Tribunal de Contas e que Carlos Miguel espera que a autarquia belmontense consiga executar “até ao final do ano”, e que “não desperdice esta oportunidade.”

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