Domenico Pozzovivo, 43 anos, ciclista da Solution Tech Nippo Rali, conhecido no circuito internacional por “doutor”, já que além de profissional da modalidade é licenciado em economia, é a grande figura da oitava edição do Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela que decorre entre 22 e 24 de maio.
Pozzovivo, considerado uma dos melhores escaladores das duas últimas décadas, conta com participações nas grandes provas internacionais, como o Tour, a Vuelta (foi sexto em 2013) e o Giro de Itália, onde alcançou vários “top-tens” ao longo de uma carreira em que correu em equipas como a AG2R, Intermarché- Wanty, Bahrain, ou Israel. E já está confirmado nesta competição de três dias, em que os ciclistas percorrerão mais de 550 quilómetros pelos 16 municípios da AMCB. Outro dos nomes fortes é o português Iury LeItão, campeão mundial de Omnium, em 2023, que compete pela equipa espanhola da Caja Rural.
A prova foi apresentada esta terça-feira, 5, no Castelo de Belmonte. E contempla três etapas: a primeira, dia 22, de 192,8 quilómetros, entre a Mêda e Fornos de Algodres; a segunda, dia 23, de 174,7 quilómetros, entre Sabugal e Fundão; e a terceira, e última, dia 24, com as dificuldades da montanha, entre Gouveia e Guarda (186,2km), com passagem pela Torre, na Serra da Estrela.
Em prova estão já confirmados 133 corredores de 20 equipas diferentes, de nove países. Haverá cinco equipas Proteams (um nível abaixo das de elite): Solution Tech (equipa suíça de Pozzovivo), e as espanholas Kern Pharma, Burgos, Euskatel Euskadi e Caja Rural. Do escalão Continental (terceiro nível mundial) estarão 15 equipas, dez delas nacionais: Anicolor, Efapel, Tavira, Oliveirense, Louletano, LA Alumínios, Boavista, Feirense, Óbidos e Tavfer-Mortágua. As outras cinco são a Victoria Ciclyng (Emirados Árabes), NU (Colômbia), Meridian Racing (Estados Unidos), China Mentech (China) e CLN Kosova (Kosovo).
A competição está avaliada em 2.1 pela União Ciclista Internacional (UCI), ou seja, apenas um patamar abaixo da Volta ao Algarve (única prova nacional ao nível da elite mundial) e no mesmo patamar que a Volta a Portugal. Mas a ambição é subir de escalão no futuro. “Esta é a maior prova desportiva que a nossa região organiza. Está a subir montanhas naquilo que é a sua dinâmica. Tem dimensão internacional, decorre na melhor região do País para o ciclismo e tem grande impacto económico, atraindo muitas pessoas e tendo a assistir, nas diversas plataformas ou ao vivo, mais de oito milhões de pessoas. Queremos que suba de escalão e para isso irá contribuir a cobertura televisiva, durante os três dias, com 90 minutos transmitidos pela TVI/CNN”, afirma Miguel Gavinhos, presidente da AMCB e autarca fundanense. O responsável diz que da avaliação feita nos últimos anos, em termos turísticos, a região encaixa cerca de 2,5 milhões de euros em hotelaria e restauração, entre outros, pelo que a aposta é para crescer ainda mais. “O orçamento também tem crescido. Este ano, são cerca de 700 mil euros. A grande fatia é paga pelos municípios”, assegura, adiantando haver ainda apoios de 20 mil euros da Turismo do Centro e 160 mil de uma candidatura feita ao programa Turism Event. “Estamos perto de chegar à classificação Pro Séries, que só a Volta do Algarve tem em Portugal”, afiança.

António Luís Beites, autarca anfitrião da apresentação, elogiou a prova. “As coisas correram muito bem nos anos anteriores. E esperamos que possa crescer para um patamar superior nos próximos anos. O ciclismo é também uma forma de promover o território”, recorda, acreditando que a transmissão televisiva prevista irá ainda reforçar mais esse objetivo.
Cândido Barbosa, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPF), desejou que o Grande Prémio das Beiras “continue a ter sucesso”, elogiou o “arrojo” em querer subir de categoria na UCI, o que pode reforçar a atratividade de ciclistas internacionais. “Tem todos os ingredientes para isso, numa das melhores zonas do País para o ciclismo”, afiança. O responsável acredita que a transmissão televisiva ajudará a atrair mais equipas internacionais, motivará os mais jovens a aderir à modalidade, com qual, lamenta, estão um pouco desligados, e recorda as mais-valias económicas. “O ciclismo é promoção do território, chega a todo o mundo e dá um input à economia local”, assegura.
