Preço dos combustíveis deixa bombeiros do distrito em dificuldades

Presidente da Federação diz que impacto é “terrível” e diz que algumas corporações, a continuar assim, só aguentam mais dois a três meses
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O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Castelo Branco afirma que o aumento do preço do combustível está a ter um “impacto terrível” nas corporações, criando uma situação “insustentável” nos bombeiros.

“Neste momento, muitas das associações e corpos de bombeiros já estão a fazer transporte de doentes às suas custas. Já estão a pagar para poderem fazer o transporte dos utentes. Isto está a ter um impacto terrível”, diz José Neves à agência Lusa.

Este responsável sublinha que a situação é “insustentável” e adianta ainda que as particularidades do distrito de Castelo Branco “até agravam mais a situação”, porque é necessário percorrer distâncias maiores para chegar às unidades hospitalares. “Caso não sejam tomadas medidas, não acredito que seja possível aguentar [as 12 associações distritais] mais de dois ou três meses. Obviamente que não podemos continuar com uma situação onde estamos a suportar uma coisa que é da responsabilidade do Estado”, sustenta.

O presidente da Federação e comandante dos bombeiros de Castelo Branco explica que as associações sabem que a actividade que exercem não tem que ser lucrativa, mas também não tem que ser prejudicial. “O Estado tem que suportar o custo da operação. Soluções para isto há várias, como a utilização do gasóleo agrícola, atribuição de subsídios directos aos bombeiros, entre outras. Haja vontade, que imaginação não faltará para resolver o problema”, frisa.

Segundo José Neves, no distrito de Castelo Branco, não há ainda uma tomada de posição: “Confiamos na Liga dos Bombeiros Portugueses que está a desenvolver negociações, no sentido de perceber o que é que se pode fazer para diminuir os custos”. Adianta também que não está em causa o transporte dos utentes, “que são quem tem menos culpa no meio disto tudo”. Contudo, realça que “com os aumentos sucessivos não é uma situação que possa passar mais de dois ou três meses”.

José Neves explica ainda que no transporte de doentes, o impacto do custo do combustível anda entre os 30 e 50% numa deslocação. “O preço que nos pagam por quilómetro não é atualizado há anos. Obviamente que isto está a ter um impacto muito negativo”, conclui.

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