Em 1972, há 53 anos, muitos homens e mulheres, em Peraboa, já eram quase adultos, trabalhavam, quer no campo, quer nas lides domésticas, mas foram desafiados a voltar aos bancos da escola para estrearem uma nova forma de ensino que trouxe para o Interior os laboratórios, a geografia e o conhecimento de Portugal: a Telescola, ou ensino à distância. Passado mais de meio século, os cerca de 40 alunos que estrearam essa forma de ensino na freguesia covilhanense reúnem-se num encontro agendado para o próximo domingo, 12.
Em Peraboa, a telescola (Ensino Básico Mediatizado) teve como primeiros docentes os professores Eurico e Óscar. Que “percorreram as casas dos peraboenses e das famílias para os jovens voltarem aos bancos da Escola. Alguns deles já tinham barba rija e muitas das alunas já eram mulheres crescidas que já ajudavam nas lides domésticas”, explica o presidente da Junta, Pedro Silveira, que dá como exemplo a sua irmã, São, que “já tinha abandonado a escola há muitos anos e a nossa mãe fê-la regressar à escola.”
O primeiro encontro da primeira turma de alunos da telescola de Peraboa vai decorrer num restaurante da região. Maria José Almeida Rei faz parte da organização do evento que vai reunir perto de 40 alunos e respetivos familiares. “Será um encontro repleto de memórias e de grandes emoções. A telescola funcionou como um arejamento dos alunos, talvez a primeira tentativa de emancipação destes jovens, que viviam repletos de sonhos e de aventuras”, explica o autarca.
O número de Posto de Peraboa era o 104. Na época, “a nossa terra era uma aldeia onde as pitas ainda andavam na rua. A telescola foi um verdadeiro centro de transformação de mentalidades e deu-nos ferramentas pedagógicas para sempre” explica Pedro Silveira. O ensino à distância sobreviveu até ao século XXI, frequentado por centenas de alunos “que hoje dão cartas nas mais diversas profissões”, salienta o autarca