Projetos estruturantes esquecidos (Parte 1)

José A. Serra dos Reis

Vereador na Câmara da Covilhã

São projetos estruturantes para o desenvolvimento da Covilhã, da Cova da Beira e com incidência na afirmação da Região Centro, quase sempre esquecidos, adiados e perdidos no tempo, por inércia da Câmara Municipal da Covilhã.

Enquanto vereador com o pelouro do Planeamento, dei contributo e acompanhei o excelente trabalho da equipa técnica, muito bem coordenada pela Chefe de Divisão, Isabel Matias, no levantamento, inventariação e sinalização de quase três dezenas de projetos estruturantes que são decisivos para o desenvolvimento da Covilhã, aos quais importa acoplar outros que, conjuntamente, contribuirão para o desenvolvimento a afirmação da Cova da Beira e da Região Centro.

Encontra-se em consulta pública o Programa Regional de Ordenamento do Território do Centro (PROT Centro). No período da sua elaboração foi com satisfação que, em representação do município da Covilhã e sempre assessorado pela senhora Chefe de Divisão do Planeamento, dei contributos para a sua redação, com destaque para (rede regional de aeródromos, IC6 Green road, reservas estratégicas de água e comunidades energéticas, rede de lugares com história e ou património industrial…). Nem todos os contributos foram acolhidos, mas registo com agrado que, no documento, se façam diversas referências ao IC6 que o indicam como investimento estratégico, na ligação entre Figueira da Foz, Coimbra e Covilhã. Na página 66 refere-se que a conclusão do IC6, troço Tábua, Oliveira do Hospital, Covilhã, é crucial para a coesão territorial e para ligação Litoral/Interior. Nas páginas 141 e 151 destaca-se o IC6 como mola impulsionadora na dinamização dos recursos turísticos e económicos. E na 106 referem-se outras vias rodoviárias que são estruturantes para a ligação transfronteiriça, com destaque para a construção do IC31 com perfil de autoestrada.

Porque o PROT Centro está em discussão pública e porque vamos ter campanhas e eleições legislativas e autárquicas, este é o momento ideal para que os diferentes grupos de estudo, de trabalho ou de pressão unam esforços e de uma vez por todas reivindiquem a construção do IC6, com o Túnel da Serra de Alvoaça incorporado. Aliás, num país a sério, há muito que este túnel seria uma realidade. Bastaria um pequeno espirro de Alberto João Jardim, se tivesse chegado a primeiro ministro, e este túnel há muito seria realidade.

Razões, custos e benefícios para a construção do túnel: com cerca 1000m custa + ‑10 000 000 euros, encurta o percurso (Covilhã/Coimbra) em 30 quilómetros e reduz o tempo de viagem  em uma hora; diminui substancialmente os custos de construção do IC6, pois evita a construção e manutenção de dez obras de arte (pontes), não há custos  com a construção e manutenção de 30 quilómetros de estrada,  reduzem-se substancialmente as expropriações e a limpeza das faixas de gestão de combustíveis. Acresce ainda a redução carbónica, a comodidade da viagem, as vidas que se salvam, aumenta a atração turística e melhora as acessibilidades ao Planalto Central. É uma reivindicação com 35 anos, lançada pela ASE, Associação dos Amigos da Serra da Estrela. Nasceu num encontro de autarcas no restaurante das Pedras Lavradas, onde estive presente. Ao tempo foi apresentado ao senhor Ministro das Obras Públicas, Joaquim Ferreira do Amaral, que achou a ideia com muito interesse. O projeto foi sendo abandonado, mas continua muito atual e urge retomar.

É muito importante referir e reivindicar vias estruturantes de âmbito regional, nacional e até transnacional, mas não podemos descurar as concelhias. Em 50 anos de poder local, nunca a Câmara Municipal da Covilhã conseguiu resolver o estrangulamento da rua Rui Faleiro. Faz parte da Estrada Nacional 339, principal porta de entrada para a Serra da Estrela, onde dois veículos pesados estão impossibilitados de se cruzarem e até dois veículos ligeiros de maior cilindrada têm a mesma dificuldade. Basta! É tempo de agir. Das outras três vias de acesso ao planalto central, Estrela Sul, Vulgo Cortes/ Penhas da Saúde, Unhais da Serra/Nave de Santo António e Verdelhos/Poço do Inferno, só uma, a Estrela Sul está em condições de ser construída. Tem projeto elaborado e pareceres aprovados, para os quais dei o meu contributo, acompanhando o excelente trabalho e empenhamento da equipa técnica dos Serviços de Planeamento. As outras duas continuam a marcar passo. A de Verdelhos, por minha iniciativa, o projeto também está adiantado, e por esse motivo teve uma manifestação de desagrado/desautorização do senhor presidente da Câmara que, numa reunião pública do executivo, afirmou que não se devia fazer o projeto sem a anuência dos parceiros do Programa de Revitalização da Serra da Estrela. Estranha forma de abordagem. Há sempre desculpas, quando não se quer fazer.

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