A concretização de uma “negociata política”. É assim que, em comunicado, o PS do Fundão classifica a atribuição de pelouros, e vereação a tempo inteiro na Câmara, ao eleito do Chega, Hugo Silva, que se desfiliou do partido.
Na última reunião pública do executivo, na passada semana, foi aprovada por maioria esta medida. O PS acusa o PSD e o presidente da autarquia, Miguel Gavinhos, de terem garantido “aquilo que sempre quiseram e que o povo lhes negou: uma maioria de eleitos para navegar sem amarras.” Segundo os socialistas, em comunicado, o acordo agora estabelecido – a passagem a vereador a tempo inteiro do eleito pelo Chega, Hugo Silva – “não só não surpreende, como foi, em muitas ocasiões, denunciado pelo PS em campanha eleitoral, acusações essas sempre rebatidas de forma jocosa pelo atual presidente da Câmara.” O partido recorda que Miguel Gavinhos já tinha dito que o PSD não poderia ficar refém do PS e que não quer “governar, reformar e desenvolver em conjunto com os restantes eleitos e com os equilíbrios que o povo determinou; prefere antes um “kit mãos livres”, com a contratação de um vereador” frisa. Para o PS Fundão, esta cronologia de acontecimentos “revela um desprezo absoluto pelo voto popular e uma traição ao eleitorado, que se sente agora defraudado, tenha votado Chega ou PSD, perante um acordo sempre negado e agora consumado. Ao concretizar esta negociata política, o senhor presidente acaba por equiparar a legitimidade política dos seus vereadores – e a sua própria – à de alguém que, a partir de hoje, não representa ninguém”, salienta o PS.
Já o PSD, em comunicado, rebate as críticas. Diz ter honrado o compromisso de não se coligar para ter maioria no executivo e que a colaboração de Hugo Silva tem que ser avaliada na sua agora condição de independente. “Não se escondem segundas intenções por detrás desta decisão”, garante o PSD, alegando o “superior interesse do Fundão” e uma “estabilidade governativa” para justificar o cargo agora ocupado por Hugo Silva. Além disso, o partido lembra que foi atribuído o pelouro da Proteção Civil a um eleito com “mais de 20 anos de experiência na Força Especial de Proteção Civil”. “Isto não é um mero detalhe político, é uma questão de competência” justificam os social-democratas.
Na reunião do executivo, o PS votou contra. O vereador Tiago Soares Monteiro disse que por mais argumentos que Miguel Gavinhos aponte, “quis ganhar na secretaria o que não ganhou nas urnas”, uma maioria absoluta. Já Rui Pelejão acusou Hugo Silva de “trair o povo do Fundão” e de querer “tratar da sua vidinha”. “A partir de agora o senhor não representa ninguém”, disse Pelejão, que acusou Gavinhos de ceder “à ganância do poder absoluto”. Pedro Neto, da Comunidade com Força, disse que os principais documentos de governação, o orçamento e a delegação de competências, já estavam aprovadas, pelo que não necessitava deste acordo para ter estabilidade governativa.
“Eu disse que não faria acordos com partidos. E não faria com o Chega”, retorquiu Miguel Gavinhos, negando “coisas escondidas”. “Não estou a fazer acordo com partido nenhum”, assegura o autarca.
