Quando a falta de oportunidades nos diz para ir embora

Estudo diz que jovens fogem cada vez mais do Interior. Na UBI, NC encontrou casos em que, ficar, pode ser uma opção após o curso, mas outros em que a fuga para o Litoral há muito está pensada
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Carolina Fernandes/Diogo Parente

Carla Câmara, de 22 anos, voou da Madeira para a Covilhã, para frequentar o curso de Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior. A estudante encontra-se no último ano e, planeando já o seu futuro, pretende ingressar num mestrado na área de publicidade e marketing em Lisboa, conciliando os estudos com o trabalho. “Penso seguir mestrado numa universidade em Lisboa, pois tem mais condições e oportunidades de trabalho”, afirma Carla.

A ideia de fugir do Interior para a capital é partilhada por Mariana Ferreira, também estudante de Ciências da Comunicação. Desde cedo que a jovem leiriense, de 20 anos, pretende seguir a área de jornalismo em Lisboa. Contudo, acabou por entrar na UBI na sua última opção, descartando a ideia de mudar de instituição. “Acabei por ficar porque adorei as pessoas, somos uma família. É uma coisa que eu em Lisboa nunca iria ter”, diz a estudante. Mas o plano de ir para Lisboa sempre permaneceu e, encontrando-se agora no último ano da licenciatura, Mariana explica que sempre gostou das grandes cidades: “No semestre passado fiz Erasmus em Itália e ao estar a viver todos os dias numa cidade tão grande, ainda me deu mais vontade de não voltar para a Covilhã e fugir para Lisboa”.

“Na nossa área, a Covilhã não consegue empregar tantos alunos”

Para ambas as estudantes, a falta de oportunidades na área da comunicação é uma das razões que as leva a escolher as grandes cidades. “Mesmo que a Covilhã tenha meios como rádios e jornais, nunca tinha possibilidade de empregar todos os alunos”, revela Mariana. Para a estudante, “na sociedade global actual a questão da visibilidade é importante, ainda mais numa área como a comunicação. São as grandes cidades que nos dão essa visibilidade e esse poder que procuramos, então acabamos por fugir para elas”, conclui.

“A Beira Interior continua muito estagnada”

A acabar o mestrado em Engenharia Informática, Pedro Batista, de 24 anos, veio para a Covilhã em 2015. A escolha da UBI deveu-se ao baixo custo de vida que a cidade oferece, mas também pelo reconhecimento do curso e por recomendação de amigos.

O jovem, natural de Viseu, concilia o mestrado com o trabalho. “Neste momento, encontro-me a trabalhar remotamente, a partir da Covilhã, para uma empresa de Lisboa”. Para Pedro, a adopção do teletrabalho tornou a sua estadia na Beira Interior “mais vantajosa” uma vez que o custo de vida, em comparação com Lisboa, é inferior.

Ao contrário de Mariana e Carla, Pedro não tem, para já, nos seus planos uma mudança para uma grande cidade do Litoral. “Gosto de uma vida mais tranquila mesmo que isso implique menos variedade de lazer. No caso das grandes cidades podemos ter uma nova experiência quase diariamente”. Por outro lado, o jovem não descarta totalmente essa ideia, dado que “a progressão de carreira costuma ser mais pobre no Interior”.

(Reportagem completa na edição papel)

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