“Quando o impossível se torna possível…”. É assim que na sua página pessoal, o técnico do Sporting da Covilhã, Rui Mota, lembra a manutenção na Liga 3, alcançada no passado sábado, 25, nas Caldas da Rainha, onde os serranos empataram a uma bola, resultado que, face aos que se verificaram nesta ronda, foi suficiente para os leões da serra garantirem a permanência neste escalão.
Quando iniciou a primeira de dez jornadas da série 2 da fase de manutenção na Liga 3, o Sporting da Covilhã era último, com um ponto, a uns consideráveis cinco do antepenúltimo lugar (que dava permanência), que era ocupado pelo Amora (que veio a descer). Mas a vitória, por 0-3, precisamente frente ao Amora, embalou os serranos para três vitórias consecutivas que fizeram com que a equipa entrasse rapidamente na discussão por um “lugar ao sol”. E, em nove jogos, o Covilhã totalizou 16 pontos, sendo, de longe, a melhor equipa desta segunda fase. No sábado, após a derrota do Amora frente ao Lusitano de Évora, e da vitória do 1º de Dezembro no Atlético, o Covilhã sabia (jogou depois destes dois confrontos) que um ponto bastava para sorrir. E conseguiu-o.
Nesta nona jornada, o Covilhã entrou sem arriscar muito, pois sabia que o nulo lhe convinha. Mas o golo do Caldas, por Luís Farinha, aos 39 minutos, obrigou a mudar a estratégia, indo em busca do empate, de modo a não deixar a questão da permanência para a última jornada (sábado, às 14 horas, no Santos Pinto), frente ao Amora. E assim, na segunda parte, os serranos arriscaram. Gustavo Galil (de novo com boa exibição), foi muitas vezes ao meio-campo esticar o jogo, em reposições de bola, para a área contrária, num futebol mais direto que acabou por dar frutos. Aos 71 minutos, Galil solicitou Cheik Niang, que viu o guardião contrário, Wilson Soares, sair até ao limite da área para socar a bola, mas esta sobrou para o regressado Fábio Cruz (esteve muito tempo lesionado), que a dominou e aplicou um remate em banana para a baliza desguarnecida, fazendo a igualdade.

A partir daí, o Covilhã foi mais conservador, pois o resultado convinha-lhe. Ainda apanhou um susto, já nos descontos (95), quando a bola cruzou a área, passando por várias pernas sem que ninguém lhe acertasse. Mas assim que chegou o apito final, os serranos fizeram a festa.
Rui Mota, segundo técnico da temporada após a saída, ainda na primeira fase, de Bizarro, lembra a época exigente. “É impossível não olhar para trás com orgulho e gratidão. Esta conquista não é apenas o resultado de vitórias dentro de campo, mas do esforço diário, da dedicação incansável e do espírito de união que definiram esta equipa ao longo de toda a temporada”, salienta. “Contra muitas expectativas, conseguiu-se aquilo que muitos consideravam impossível: um verdadeiro milagre desportivo que poucos acreditaram ser alcançável no início da época. E é precisamente por isso que esta conquista ganha um significado ainda mais especial”, afirma, agradecendo aos adeptos que “nunca deixaram de acreditar.” “Ao Sporting Clube da Covilhã, instituição que merece o máximo respeito, à cidade da Covilhã, dizer que vos guardo e levarei no coração”, escreveu o timoneiro da manutenção serrana.

