Procurar
Close this search box.

Quebra contínua em Espanha aumenta preço do azeite

Apesar da produção de azeite ter aumentado relativamente ao ano passado, os preços vão manter-se elevados, devido à quebra de produção existente no mercado espanhol

Este ano, prevê-se aquele que será um ano normal na produção de azeite, que vai repor a quebra que existiu na produção do ano passado, devido à falta de chuva. “O ano passado foi um ano terrível. Que eu me lembre, terá sido das piores campanhas dos últimos 20 ou 30 anos”, relembra João Pereira, presidente da Associação de Produtores de Azeite da Beira Interior.

Apesar de se prever “um aumento de 15 a 20%” na produção de azeitona, segundo António Amaral, presidente da Cooperativa Agrícola de Olivicultores do Fundão, “há zonas afetadas pelo calor que não deram azeitona”.

Sobre este problema, João Pereira conta: “não estávamos à espera deste calor excessivo e o efeito que está a ter na azeitona. Está a acelerar a sua maturação e, aparentemente, vamos ter de abrir os lagares mais cedo, em virtude daquilo que é este calor prolongado. O que está previsto é todos os lagares anteciparem uma a duas semanas aquilo que seria o período normal de abertura”.

O presidente da Associação de Produtores de Azeite da Beira Interior teme que a instabilidade meteorológica possa causar grandes danos nas azeitonas. “De repente, se vem uma chuva e cria condições de humidade, nós temos uma praga que é a mosca de azeitona, que nesta combinação entre calor e humidade, pode causar danos na produção”, explica.

Por essa razão, os lagares vão abrir mais cedo. No Fundão, António Amaral conta que “a azeitona vai ser colhida a 23 de outubro. Em geral, era sempre na primeira semana de novembro, mas o calor afeta muito a produção”.

Tendo em conta o efeito das alterações climáticas, Miguel Madeira, proprietário do Lagar Oleícola do Cruzamento de Alcaria (LOCA) refere que as medidas a tomar passam pelo tratamento dos olivais. “Têm de começar a ser tratados os olivais. As campanhas vão antecipando e são cada vez mais curtas, ou seja, são cada vez mais intensivas em termos de processamento de produção de azeite”, considera.

Relativamente aos preços do azeite, as notícias é que não são muito animadoras. “Apesar de a produção ser bastante melhor a nível nacional do que o ano transato, os preços vão continuar a subir, por causa da quebra que existe no mercado espanhol”, começa por explicar Miguel Madeira. “E vamos ter cada vez mais espanhóis a comprarem azeite e azeitona em Portugal, o que vai acelerar essa subida de preços”, considera o proprietário do LOCA.

António Amaral reflete que “o azeite está barato para o preço da mão de obra e dos combustíveis” utilizados e que o problema maior é o facto de Espanha também não ter azeite e haver muita procura. No entanto, o presidente da Cooperativa Agrícola de Olivicultores do Fundão afirma que “o preço não pode subir muito, se não, não há poder de compra”.

“Nós estamos numa ‘ressaca’ do ano passado, da campanha em que não houve azeite. E não há azeite principalmente em quem comanda o preço mundial, Espanha, que é o maior produtor de azeite e de azeitona a nível internacional”, começa por referir João Pereira. “Há pouca oferta, a procura manteve-se e o preço subiu. Os dados para esta campanha também não são muito abonatórios, por isso prevê-se que o preço se continue a manter alto”, continua.

O presidente da Associação de Produtores de Azeite da Beira Interior tenta ver a situação pelo lado positivo: “Pode ser que isso incentive as pessoas a recuperarem os olivais das suas aldeias”, termina.

VER MAIS

EDIÇÕES IMPRESSAS

PONTOS
DE DISTRIBUIÇÃO

Copyright © 2023 Notícias da Covilhã