Queijarias da Serra da Estrela com toda a produção para vender

Feiras do queijo, que decorrem habitualmente em Fevereiro, na região, este ano são todas online, devido à pandemia
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No Natal e Ano Novo, as queijarias da zona da Serra da Estrela conseguiram escoar praticamente todo o queijo que estava em conservação, referente à produção do alavão passado. Mas agora, a grande maioria dos produtores de Queijo Serra da Estrela tem praticamente tudo o que produziu em Dezembro e Janeiro à espera de ser vendido, situação que se pode agravar com a não realização das tradicionais feiras neste mês de Fevereiro, na região, devido à pandemia. Quem o diz é a Estrelacoop, Cooperativa dos Produtores de Queijo Serra da Estrela, localizada em Celorico da Beira, que conta com cerca de duas dezenas de pequenos produtores.

“As vendas de Natal foram muito positivas. As queijarias conseguiram escoar praticamente tudo. Nesta altura, realizavam-se as feiras do queijo em todos os concelhos, o queijo de Dezembro e Janeiro era praticamente todo vendido aí, que era uma grande ajuda. E neste momento, as queijarias estão com toda a produção, que ainda não foi vendida” explica ao NC a direcção da Estrelacoop.

No ano passado, em Março, devido à primeira vaga da pandemia, a produção esteve quase toda parada. Depois, foi retomada, mas antes do Natal havia muito queijo por escoar, o que se conseguiu nessa quadra festiva, quando as queijarias já estavam com sobrelotação e, algumas, com quebras superiores a 50 por cento nas vendas. Além da não realização de feiras, a proibição de transpor concelhos era também um factor importante para o não escoamento do queijo. “A nossa cooperativa tem perto de 20 pequenos produtores que se viram agora limitados porque não existem mercados nem feiras e nem existe a possibilidade de passarmos de concelho para concelho, o que lhes retira grande parte dos seus clientes tradicionais nesta época do ano”, afirmava Luís Ferreira, vice-presidente da Estrelacoop. Que apelava ao consumo deste queijo com Denominação de Origem Protegida no Natal. O que acabou por acontecer e aliviar, um pouco, a vida dos produtores.

Porém, com os sucessivos estados de emergência e confinamentos gerais deste início do ano, os meses “mais fortes” de venda do Queijo Serra da Estrela estão a ser fortemente afectados, até pela não realização de feiras, que decorriam em concelhos como Fornos de Algodres, Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Manteigas ou Oliveira do Hospital.

Todas as feiras no online

A Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE) já anunciou que este ano, esses certames vão todos decorrer “100 por cento em formato digital” nos municípios da área da comunidade devido à pandemia de covid-19.

“Em ano de pandemia, os municípios das Beiras e Serra da Estrela, com o apoio da Comunidade Intermunicipal, reinventam-se. As emblemáticas Feiras do Queijo da Serra vão realizar-se em formato digital e, em alguns casos, com uma duração mais alargada do que o habitual”, refere a CIM-BSE em comunicado. Confirmando, para já, este formato nas feiras de Seia, Gouveia, Celorico da Beira e Fornos de Algodres, e na Feira do Fumeiro dos Sabores e Artesanato do Nordeste da Beira (Trancoso). “Na impossibilidade de se realizarem os eventos físicos, com estas feiras digitais, mais de 100 produtores, incluindo produtores de Queijo Serra da Estrela, vão conseguir vender o seu produto. O queijo da Serra está assim à distância de um clique”, acrescenta.

(Notícia completa na edição papel)

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