“Se alunos forem para os cafés, a suspensão de aulas na UBI de pouco vale”

Na Covilhã, a UBI suspendeu as aulas. Alunos dizem que medida é acertada, mas há quem critique colegas por trocarem estas “férias antecipadas” por idas a “cafés e espaços públicos”
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“Estou em pânico. Tenho uma filha. Tenho medo, pois ainda no outro dia estive em Coimbra, andei em centros comerciais, fui ao hospital. E não consigo deixar de pensar nisso.” Quem o diz é Marta Santiago, funcionária de uma loja na zona da ANIL, que afirma estar assustada. O Covid-19 domina os dias, na Europa, em Portugal e agora, também na região, onde diariamente há instituições a fecharem, respeitando uma quarentena de modo a evitar a propagação do vírus. Que no País, a cada dia que passa, infecta cada vez mais gente.

Na UBI, na passada quinta-feira, em comunicado, foi decretada a suspensão das aulas desde a passada segunda-feira, 16, por tempo “indeterminado”. Em comunicado, a UBI explica que estão suspensas “todas as actividades lectivas presenciais” e que encerra espaços desportivos, bares e a maioria das cantinas, com excepção da Cantina de Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e da Cantina de Santo António. “A decisão surge como medida preventiva face ao surto epidemiológico do Covid-19 e acompanha a opção tomada pelas restantes universidades portuguesas”, frisa, adiantando ainda que foi “anulada a interrupção lectiva da Páscoa para eventual recuperação de aulas presenciais, caso a situação sanitária o permita”. Durante a interrupção das actividades lectivas, é solicitado que os docentes usem as ferramentas ‘online’ disponíveis para acompanhamento dos trabalhos, “minimizando os impactos pedagógicos da suspensão”.

Também a Associação Académica da UBI (AAUBI) optou por adiar a realização da Semana Académica, que deveria decorrer entre os dias 25 e 28 de Março. A AAUBI refere que “tem consciência dos constrangimentos e impacto que esta decisão acarreta para todos os estudantes que participam no evento”, mas ressalva que está em causa a “atitude correcta tendo em conta as recomendações da DGS”. Segundo referido, o evento será realizado “assim que se encontrem reunidas as condições de segurança e saúde pública”.

Rafael Casimiro, 27 anos, aluno de Marketing, concorda com a suspensão das aulas, pois apesar de até ao momento não existir qualquer caso na Covilhã, “a verdade é que a UBI tem estudantes de todos os pontos do País, pelo que com o regresso habitual destes a casa no fim- de-semana, agravaria o risco de na próxima vírus se espalhar pela universidade”. O jovem diz que, para já, não consegue ainda avaliar quais as consequências que podem advir desta paragem, em termos académicos, pois não se sabe ao certo quanto tempo se terá que ficar em casa, nem sabe muito bem “como a UBI vai encontrar alternativas para continuar a lecionar. Se a paragem for total e não se encontrar forma de dar aulas, por exemplo, via online, o que deve acontecer é as aulas estenderem-se até aos meses do Verão. Aí sim complicará a vida daqueles que, por exemplo, aproveitam as férias para ganhar dinheiro em trabalhos sazonais para ajudar no pagamento das despesas do ano lectivo seguinte.” Apesar de tudo, Rafael lembra que “devemos fazer todos a nossa parte e cumprir o que nos é pedido. Adoptar as medidas de prevenção e apenas deslocar-nos de casa para fazer o estritamente necessário, como por exemplo sair de casa para comprar (sem açambarcar) bens essenciais.”

“Quarentena deixa-nos mais próximos de travar o vírus”

Já Bruno Carrilho, 21 anos, aluno de Ciências do Desporto, também concorda com a suspensão das aulas, pois “é uma medida de prevenção para a propagação do vírus, e é uma medida decretada pelo Governo, portanto, obrigatória.” Contudo, o jovem é crítico com a atitude de alguns que, como na passada semana foi noticiado, trocaram a suspensão nas aulas por festas em esplanadas de cafés. “Não concordo com a junção dos jovens em cafés e espaços públicos por não terem aulas, como tem ocorrido. Se isto acontece, a suspensão das aulas de pouco vale.” Em relação às consequências para o ano lectivo que decorre, Bruno acredita que serão elevadas. “Vai ter muitas consequências devido à calendarização das unidades curriculares terem de ser todas alteradas, assim como em relação às datas de avaliações. Até agora não tenho informação se vou ou não ter aulas à distância, portanto não sei o impacto que vai existir em relação ao atraso na leccionação de matérias.” O aluno assegura que, por ele a quarentena voluntária será cumprida. E os avisos para sair apenas pelo estreitamento necessário também. “Vou cumprir. Faz todo o sentido para que não me ponha em risco nem a mim, nem as pessoas ao meu redor.”

João Dias, 20 anos, aluno de Bioengenharia, acredita que suspender as aulas foi “a melhor decisão” pois, lembra, “todos os dias convivemos de maneira directa ou indirecta com pessoas que possam já ter estado em lugares onde a transmissão do vírus é mais propícia ou com pessoas infetadas, o que leva ao risco de contágio. Infelizmente, o vírus está a crescer exponencialmente lamenta o jovem. Para João, a quarentena “tanto sintomática ou assintomática deve ser cumprida”, pois “deixa-nos mais próximos de travar esta pandemia”, recordando que noutros locais do globo, como Wuhan, na China (epicentro do vírus), esta medida “ajudou em muito para a diminuição de casos.”

(Notícia completa na edição papel)

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