Será melhor depois do Natal?

O Natal de muitos dos nossos, será marcado pelo distanciamento, pelas ausências e em alguns casos por uma solidão inóspita e dolorosa
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Deparei-me esta semana com uma pequena publicação com diversas respostas, que o Papa Francisco deu às imensas cartas recebidas de crianças de todo o mundo, em que questionam o Bispo de Roma, sobre os muitos problemas e dilemas, que elas mesmo vão sentindo num mundo que “cambaleia”, sem certezas nem completas definições, mas antes se reinventa e procura uma normalidade que será difícil de se retomar.

Numa dessas cartas, uma criança de 10 anos, Mohammed, natural da Síria, perguntava precisamente ao Papa Francisco se “o mundo vai voltar a ser como era no passado”. Esta questão, e a resposta do Papa a uma criança inquieta, deixou-me também a mim a dúvida e a incerteza, mesmo que nos seja incutido a cada momento, uma esperança que acalenta os tempos tormentosos e dolorosos que experimentamos.

Francisco, porém, foi bem mais assertivo na sua resposta: “Não, o mundo então não será como no passado”. E justificando a uma criança síria esta possível desilusão para nós adultos, o Papa continua: “Será melhor do que no passado!”

E parece-nos contraditória a resposta, mas na verdade uma vez mais é essa grande virtude que nos anima, que está na base da resposta do Papa a uma infância inquieta, que nos representa a todos nós.

O nosso concelho tem registado, nos últimos tempos um exponencial aumento de casos de infecções, provocadas pelo Sars-Cov 2, que tem obrigado a, mais uma vez, experimentarmos uma realidade de “isolamentos” e preocupações que nos traz esta mesma realidade.

O Natal de muitos dos nossos, será marcado pelo distanciamento, pelas ausências e em alguns casos por uma solidão inóspita e dolorosa. E para já, por isso, parece que o mundo não será como no passado. Porque, para além desta realidade, individual, que marca o sofrimento de muitas famílias, há todo um mundo em “revolução” e constante mutação, que nos faz adaptar a novas realidades, que não estão a ser fáceis de serem aceites.

E no meio de tudo isto, um Natal, que parece ensombrar-se por essa novidade que marca o ritmo dos dias. O que, por si, só comprova a maior das contradições, porque se a festa dos cristãos que comemora o nascimento de Jesus Cristo, nesta altura do solstício de inverno, então há sinais, até da lei natural, que nos devolvem o acreditar naquele “mundo melhor” que o Papa assegurava ao pequeno Mohammed.

Mas esse crer, necessariamente, passa pelo trabalho individual de cada uma, pelas suas crenças e motivações, que não se podem fundar nas realidades do agora, mas que se colocam nas certezas do futuro. A isto se chama a tal “luz ao fundo do túnel” que atravessamos, em sociedade, em comunidade, em família e individualmente.

Celebrar o Natal, é pois mais um marco de renovação, porque a certeza de que Deus habita com os homens, fortalece-nos na esperança e na aceitação do que vivemos no momento, mas sobretudo na capacitação de sabermos que o não fazemos sozinhos.

E por isso, se retirarmos ao Natal a sua essência, se insistirmos em comercializar e fantasiar o Natal, desprovendo-o da sua identidade, mais penoso e sombrio se tornará este caminho da existência humana. É que o nascimento de Jesus, ocorrido há mais de 2000 anos, lá num Oriente longínquo, não é uma fábula para crianças, nem alienação para os que nele acreditam. Uma mentira nunca se prolongaria por tantos séculos.

O Nascimento de Jesus, que comemoramos por estes dias, é e continuará a ser as razões para acreditarmos que o “mundo será melhor”, porque Ele não o abandona.

Com esta convicção, de quem também sente e vive as dificuldades do momento, desejo, em nome de toda a equipa do NC, a todos os nossos leitores, publicitários e vendedores, um Natal cheio de luz, que abre as portas à esperança!

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