O que a levou a escrever este livro?
O Portugal ABC nasceu literalmente nas madrugadas. Foi escrito e ilustrado entre os momentos em que amamentava, nas sestas ao colo, nas noites em que não conseguia voltar a adormecer e nos fins-de-semana em que o pai cuidava do bebé. Percebi que o livro que eu procurava para o meu filho simplesmente não existia. Queria algo que lhe ensinasse português, mas também sobre Portugal, sobre as minhas raízes e sobre quem somos como povo. Queria um livro que pudesse ser lido por mim em português, mas também pelo pai, que não fala a língua. Criar deu-me chão. Deu-me propósito. O Portugal ABC tornou-se não só um livro para o meu filho, mas para todas as crianças que crescem longe de Portugal.
Quando estará disponível, onde e qual o custo?
O Portugal ABC já está disponível em diferentes formatos, desde a capa mole (paperback) e eBook, disponíveis em todo o mundo através da Amazon. Há uma edição de coleção (capa dura), disponível em livrarias internacionais, incluindo a Waterstones no Reino Unido e a Barnes & Noble nos EUA. O livro já chegou a vários países da Europa (Itália, Espanha, França, Suécia, Polónia, Alemanha, República Checa, Dinamarca), assim como à Ásia e à Austrália, e muito brevemente estará também nas livrarias portuguesas. Os preços variam consoante o mercado e o formato, mas normalmente, o de capa mole ronda os 15 euros, o eBook, 5,50 euros e o de capa dura, 28,49 euros.
Quantas páginas tem?
O Portugal ABC tem 60 páginas ilustradas por mim. Algumas edições podem apresentar páginas adicionais que são apenas páginas em branco para efeitos de paginação, algo comum em edições internacionais.

Que impacto quer criar na comunidade portuguesa além-fonteiras?
Quero que este livro seja uma ponte. Uma forma de todas as crianças que crescem fora, sobretudo as que têm pais de nacionalidades e culturas diferentes, sentirem que pertencem. Quero que conheçam a nossa história, as nossas raízes, as nossas tradições. Quero que se sintam portugueses com orgulho, mesmo vivendo longe. E que nunca se sintam “estranhos” no seu próprio país só porque cresceram noutro. O impacto que sonho criar é este: que uma criança, seja em Londres, Paris, Nova Iorque ou Berlim, abra o livro e sinta… “Isto também é meu.”
Porque deixou Penha Garcia?
Saí de Penha Garcia para prosseguir os meus estudos. Depois da minha licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais na UBI, mudei-me para o Reino Unido para completar um mestrado em Terrorismo, Crime Internacional e Segurança na Universidade de Coventry. A vida acabou por me reter cá: surgiram oportunidades profissionais, fiz escolhas pessoais e construí aqui uma parte importante da minha vida. Estou no Reino Unido há seis anos, mas Penha Garcia continua a ser o meu porto emocional.
Pensa algum dia voltar?
O futuro é imprevisível, mas uma parte de mim vive sempre na Beira Baixa, uma parte que nos dias de turbulência procura o conforto da paisagem de Penha Garcia. Gostava muito de voltar, talvez quando o meu filho for maior, ou quando surgir uma oportunidade que faça sentido para nós enquanto família. Nunca excluí essa possibilidade. Acredito que a vida, às vezes, dá voltas bonitas e acaba por nos levar de regresso às origens. Se isso acontecer, será um retorno com o coração cheio.
Há a presença da Beira Interior, e dos seus concelhos, na sua obra?
Sim, profundamente. O livro é uma homenagem a Portugal, mas também à minha terra. A forma como escrevo, ilustro e escolho detalhes é influenciada pela Beira Interior: as cores, a natureza, as tradições, a forma de olhar o mundo. Mesmo quando não está nomeada, a Beira Baixa está sempre presente, nas entrelinhas e no espírito da obra. E nas próximas coleções (desde reis e rainhas a mitos, lendas e folclore) essa presença será ainda mais evidente.
Até onde pensa levar este projeto?
Muito longe. Começou como um livro para o meu filho, e hoje já é um projeto com várias séries planeadas: desde coleção de reis e rainhas, séries de mitos, lendas e histórias de folclore, outros países, criação de recursos educativos, parcerias com escolas, workshops infantis, leitura e presença em bibliotecas e livrarias. Quero que cresça com propósito e, sempre que penso em criar uma nova série, a minha escolha para o primeiro livro e também a minha inspiração, é sempre Portugal, sempre a minha região.

